O secretário-geral do PS respondeu esta segunda-feira às críticas por ter apresentado compromissos políticos em período de companha eleitoral, considerando que o primeiro-ministro tem uma conceção do passado ao separar as prioridades nacionais e as europeias.

António José Seguro falava num almoço comício do PS em Soure, município do Baixo Mondego tradicionalmente dominado pelos socialistas.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS, tal como acontecera no domingo, durante o comício do Porto, voltou a referir-se a alguns dos 80 compromissos assumidos pelos socialistas e que constam num documento denominado «Contrato de Confiança».

«Não entendo como o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] critica o PS por apresentar as bases do seu programa de Governo numa altura de eleições europeias. Eles [Governo PSD/CDS] não percebem que as coisas entre a Europa e Portugal estão interligadas, eles não percebem que a política nacional e a política europeia exigem as mesmas respostas com as mesmas prioridades. Entender que uma coisa é Europa e outra coisa é Portugal é um tempo passado», sustentou o secretário-geral do PS.

Ainda de acordo com o líder socialista, o PS apresentou no sábado passado, na Convenção «Novo Rumo para Portugal», os seus 80 compromissos políticos, precisamente, «para que os portugueses não vão votar ao engano e para que os portugueses saibam com clareza o que propõe o PS, quer para Portugal, quer para a Europa».

«Ora, foi isso que os incomodou, porque eles [Governo PSD/CDS] perceberam que o povo português percebeu que há um caminho alternativo, respeitando os compromissos europeus e colocando as prioridades no lugar certo: Criação de emprego e estímulo à economia», defendeu o líder socialista a meio da sua intervenção.

Neste contexto, o secretário-geral do PS falou depois de alguns desses 80 compromissos, principalmente, do plano de reindustrialização, da política para o mar e do programa de formação profissional para desempregados, sobretudo com mais de 40 anos, orientando-os para os setores mais competitivos a nível nacional.

«Nós não desistimos deles», disse numa alusão aos desempregados de longa duração, após ter feito referências aos jovens quadros qualificados, lamentando que criadores portugueses nas áreas digital e tecnológica se transfiram para países estrangeiros e acabem por não desenvolver a sua atividade em território nacional.

Antes, António José Seguro tinha traçado um quadro negro da situação nacional com 800 mil desempregados, 300 mil cidadãos desincentivados que já não procuram trabalho e mais 200 mil cidadãos (muitos quadros qualificados) que emigraram do país.

Seguro defendeu a seguir uma política de estímulos ao investimento e ao crescimento, partindo da possibilidade de o Banco Central Europeu poder começar diretamente a conceder empréstimos a Estados-membros.

«Eles não entendem que a política nacional e a política europeias têm as mesmas prioridades», vincou Seguro.