Promete uma "campanha de coração", mas isso é com os portugueses. Com os adversários, a história é outra. A campanha oficial arranca só amanhã, mas Marcelo Rebelo de Sousa assume que a sua começou já hoje, em Santarém, primeiro, e em Coimbra, depois. Sem perder tempo, quis marcar logo o tom do que aí vem. Sem dizer nomes, atacou desde logo dois dos adversários presidenciais que mais comichão lhe poderão fazer nestas eleições presidenciais: Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. 

"Importante é não fazer experimentalismo na escolha do próximo Presidente. Importante é não estar a descobrir uma história que não existiu. E se aquilo que diz é o que pensa ou que transmite o que diz ter ouvido de outros"


Marcelo lembrou, assim, os debates entre os três candidatos em período de pré-campanha. As duas primeiras frases da citação facilmente se associam a Sampaio da Nóvoa, a terceira ao debate aceso em ataques pessoais, na sexta-feira, com Maria de Belém.

"É preciso um presidente que una, que estabeleça o diálogo, a tolerância e a ponte entre os portugueses, não um Presidente que divida Portugal em dois hemisférios ou mais, que represente um dos hemisférios contra o outro, mas que estabeleça uma convergência salutar. Essa é uma exigência nacional", continuou, em mais um recado subliminar a Sampaio da Nóvoa, a quem imputou já essa crítica.

Foi precisamente hoje que o primeiro-ministro e líder socialista António Costa apelou ao voto dos militantes socialistas em Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, advertindo que estas eleições funcionarão como umas primárias da esquerda. Sem se decidir por apenas um candidato, Marcelo agradece:  "Que grande ajuda que ele dá"

"Naturalmente um otimista", como se classificou, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "não faz sentido" discutir eleições partindo do pressuposto que vai haver uma segunda volta. 
"Não há primarias de nada, quando se persegue o interesse nacional. Só há uma primária, que é o próximo dia 24".
 

O candidato "simples"


Marcelo espera a eleição de chefe de Estado se decida à primeira volta, que os portugueses escolham um Presidente "com sentido de Estado, experiência política, história política e frontalidade". "E depois, esperam coração. Coração. Esta será uma campanha de coração. Uma campanha de afeto".

Ele, que tem dos orçamentos de campanha mais baixos, e que esteve sempre sobre os holofotes mediáticos enquanto comentador televisivo, quis sublinhar que a sua campanha será "simples, à medida do candidato". 

"Seria estranho que fosse diferente. tinha de traduzir o candidato frontal, simples, acessível, modesta. Três veículos automóveis percorreram as estradas de pportugal, não foram cinco, seis ou dez, nem 20. Foi assim sempre, será assim sempre. Agora e depois de eleito pelo voto dos portugueses", advogou.

Durante o dia, o afeto que recebeu em Coimbra ficou marcado pelos elogios à sua prestação enquanto comentador televisivo. Marcelo agradeceu sempre, perguntou se as pessoas - a maioria senhoras - gostavam. Aproveitou ainda para perguntar se, ao vivo, está mais gordo ou mais magro. "Mais magro", diziam.

Magros são também - e intencionalmente, como frisou . os recursos de uma campanha que promete ser, lá está, fora da caixa.