Os cheiros que pairavam no ar marcaram o sexto dia oficial desta campanha eleitoral para quem acompanhou a mini caravana de Marcelo Rebelo de Sousa: plantas, mar, bolos e, no fim, o candidato a farejar a vitória. As últimas sondagens que antecipam o cenário de chegar a Belém logo à primeira volta deixam-no embalado, mas diz que é a sua “campanha dos afetos” que lhe dá ânimo.
 

“Estou confiante, estou confiante não só por causa dos números, mas pelo que tenho sentido no dia-a-dia dos portugueses. Essa visão confirma os números. As sondagens valem o que valem. A última e decisiva é a da votação. Agora, eu sinto, no convívio diário, que há uma progressiva, crescente e mais clara clarificação de muitos portugueses com esse desejo".


Numa sessão pública, no Instituto Politécnico de Leiria, o candidato disse querer manter “até ao fim” a postura de não entrar em ataques aos adversários presidenciais. Apelou, pelo contrário, à convergência para o futuro. Aí, sobretudo, no que toca aos destinos do país, nas mãos de António Costa.

Por isso, sublinhou hoje que “o país tem desafios de governabilidade”. "É preciso garantir perante aquilo que é a necessidade de compatibilizar aquilo que é a justiça social e evitar a derrapagem financeira. É preciso garantir que o país é governável. Lembramo-nos da experiência dos governos minoritários do início da democracia. Os portugueses não querem regressar a esse tempo”.

Com a mensagem reforçada da coesão social e prometendo uma magistratura de inclusão, Marcelo Rebelo de Sousa assumiu que “o mais difícil nos tempos de crise ou a seguir à crise é ser-se moderado”. Para que não restem dúvidas, esclareceu:

“Eu serei moderado, porque eu sou moderado. Encontrar aquele caminho intermédio, que abre vias de diálogo, sem discriminação, que constrói, fomenta diálogos, todos os dias. Há um dia que não funciona e recomeça-se no dia seguinte como se fosse o primeiro".


Ouviram-se aplausos pelo menos por três vezes durante o seu discurso, que começou sem música e terminou com o hino. O auditório demorou a encher, mas encheu, e houve até um pequeno percalço. Um dos assessores começou a bater palmas (para levar a plateia a fazer o mesmo) e o candidato ainda não tinha entrado. Sala em silêncio, até pareceu criar eco. E provocou alguns risos.
 

Uma maçã 'envenenada'?


Leiria foi a reta final de um dia que começou nas Caldas da Rainha, com uma visita ao Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor, onde o candidato fez um périplo por salas de formação, conversou com estudantes e visitou as estufas da instituição. Num dia de sol, mas com frio, o cheiro das plantas aqueceu os presentes.  

O ambiente aqueceu ainda mais no mercado de fruta da cidade. Basta o professor sair à rua que as pessoas aparecem a rodeá-lo. Já várias dezenas aguardavam Marcelo Rebelo de Sousa junto à estrada onde o carro descaracterizado ia aparecer. Muitos deles sociais-democratas, outros pessoas que o apreciam, outros curiosos. Não quer dizer é que o apoio de todos seja sempre genuíno.

O primeiro vendedor de fruta com que se cruzou, por exemplo. Até lhe ofereceu uma clementina para ele provar. Ainda lhe descascou uma maçã sem demoras.
   
Mas afinal… afinal era outro candidato. Ou nenhum. Este português espelha a descrença na classe política.

 
O histórico do CDS-PP, Narana Coissoró, esse não tem dúvidas. Estava na primeira fila, à espera, para apoiar o professor, não por representar melhor a direita, mas “por representar melhor o país”. Sem papas na língua, desferiu uma série de críticas ao adversário Sampaio da Nóvoa, para além da falta de experiência política.

 
Um grupo que por ali andava começou a distribuir autocolantes com um slogan à Mário Soares. Vários colaram-no ao peito. Outros, outras, as senhoras, aproveitaram a deixa para verbalizar bem alto. Houve quem lhe dissesse: “Tem que ser à primeira volta”.
 

"Marcelo é fixe!"


Ele lá seguia, sorridente, “rua das montras” fora. A despedida das Caldas foi a mais apoteótica até agora. Aplausos e Marcelo a apoiar-se na porta do carro, para acenar a quem o apoiava.

 
Seguiu-se um almoço – desta vez prato completo e não a habitual sandes - na fábrica de vidros Normax, na Marinha Grande. Marcelo deliciado a ver como se fabricam tubos de ensaio científicos e com fins medicinais. O candidato presidencial mais hipocondríaco e o professor, tudo ao mesmo tempo, a aprender com um bom exemplo de uma empresa que exporta até para a China.

O lanche foi em Alcobaça e ele tentou, como pôde, fugir aos doces premiados da Pastelaria Alcôa. Lá acabou por comprar uma caixinha. Isso foi depois de ter passado ainda pela Nazaré, onde andou de barquinho à vela num centro de atividades aquáticas para pessoas inadaptadas. Estamos a meio da campanha. A ver se, como quer, chega a bom porto.
 


Leia também:


Novo Banco: Marcelo navegará com Costa para onde ele quiser remar