O eurodeputado Nuno Melo dirigiu hoje perguntas ao Banco Central Europeu e ao seu vice-presidente, Vítor Constâncio, para esclarecer as declarações de Durão Barroso sobre o BPN e eventuais consequências por parte do supervisor nacional na época.

«Redigi uma pergunta escrita ao BCE, também ao seu vice-governador, doutor Vítor Constâncio, perguntando se confirma ou desmente as declarações do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, o que terá dito em consequência e principalmente em consequência o Banco de Portugal também terá decidido alguma coisa», afirmou Nuno Melo aos jornalistas.

Nuno Melo falava no parlamento português sobre a prerrogativa que tem enquanto deputado europeu de interpelar diretamente o banco central.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, disse hoje que não se lembra de ter sido chamado por Durão Barroso para falar «exclusivamente» sobre o BPN, mas admite conversas com o ex-primeiro-ministro sobre o tema.

Numa recente entrevista ao jornal Expresso, Durão Barroso disse, sem ser questionado sobre o tema, que enquanto foi primeiro-ministro (entre 2002 e 2004) chamou por três vezes o então governador do Banco de Portugal a São Bento para «saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade», indicando possíveis irregularidades no banco nacionalizado pelo Estado português em 2008.

«Esta declaração não é irrelevante, porque quando se fala do BPN estamos a falar de uma realidade que significa um custo para os contribuintes entre 5 e 8 mil milhões de euros», afirmou Nuno Melo.

«Julgo que é um esclarecimento que é devido e que é devido que seja de base institucional», sublinhou.

Questionado sobre se não iria também dirigir uma pergunta ao presidente da Comissão, por só agora avançar com aquela revelação, Nuno Melo disse que ponderava estender o pedido de esclarecimento também a Barroso.

«Nunca recebi qualquer informação sobre possíveis irregularidades concretas no BPN. Depois de tantos anos, não recordo qualquer convocação exclusivamente sobre o BPN», afirmou Vítor Constâncio, que convocou os jornalistas para falar sobre o tema, à margem das reuniões do Eurogrupo e Ecofin que se realizam em Atenas.

Vitor Constâncio diz, no entanto, que se recorda «apenas de uma conversa geral em que se falou de preocupações com o BPN», mas que nessa conversa não se falou de «nada de muito concreto».