O eurodeputado Rui Tavares defende que as próximas eleições europeias devem ser «o ponto de partida para uma alternativa de governo à esquerda» e admite ser candidato por um partido em eleições primárias abertas a não militantes.

Em declarações à agência Lusa, Rui Tavares, que integra o Grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, depois de em 2011 ter abandonado o Grupo da Esquerda Unitária na sequência da rutura com o BE, defende a criação de um «espaço de liberdade à esquerda» que provoque «um efeito de polinização» nos partidos já existentes.

«A esquerda não pode continuar enclausurada, tem de haver novos mecanismos de liberdade à esquerda, haver algo como movimentos cívicos no âmbito dos partidos ou então criar partidos de tipo novo», advoga.

O eurodeputado diz ainda que «é importante é que haja disponibilidade para dialogar em toda a esquerda» e que «as próximas eleições europeias devem ser o ponto de partida para preparar uma alternativa de governo à esquerda».

Tavares diz ter recebido «muitos contactos» depois da entrevista que deu ao Expresso, publicada no fim de semana passado, em que defendeu a criação de um novo partido, e que é preciso «fazer esse debate da forma mais aberta e pública possível».

«O próximo passo é pôr em contacto as pessoas que acreditem num novo espaço de liberdade à esquerda, assente na justiça social e na democracia europeia. Não tenho neste momento ainda uma data, estou a responder às pessoas que me têm contactado», afirma o historiador.

Sobre o facto de Francisco Assis (antigo candidato à liderança do PS e ex-líder parlamentar) ter defendido, em declarações ao «Diário de Notícias», a integração de Rui Tavares nas listas dos socialistas ao Parlamento Europeu, Tavares não respondeu diretamente.

«Isto não é sobre arranjar um lugar para eu ser eleito, o que quero é criar um espaço de liberdade à esquerda», diz o eurodeputado dos Verdes, sublinhando que esse projeto ultrapassa as eleições de maio do próximo ano.

Caso não exista essa coligação nas próximas europeias, Tavares defende que os partidos devem realizar primárias abertas para a escolha dos candidatos. «Hoje só se pode votar em quem é convidado pelas direções dos partidos e é preciso superar essa ideia», acrescenta.

Questionado sobre se aceitaria integrar uma candidatura partidária num contexto de primárias abertas, o eurodeputado responde apenas: «Acho que é uma interpretação que decorre do que eu disse».

Nas declarações à Lusa, Rui Tavares admite que poderia abandonar a representação política ativa caso houvesse um entendimento alargado à esquerda. «Bastaria que dois dos três partidos [à esquerda] se entendessem e eu ia descansadinho dar aulas de História, com esse salto tão grande eu já teria em quem votar», disse.

Em agosto, o jornal «Expresso» avançou que Rui Tavares já tinha sido sondado pelo PS para as eleições para o Parlamento Europeu em 2014. «Não me parece que possa ser candidato por algum dos partidos que temos», afirmou na altura o eurodeputado.