A cabeça de lista do BE às europeias considerou «urgente» a implementação do Plano Nacional de Alzheimer, sublinhando que Portugal é dos poucos países da União Europeia sem este instrumento, estando muito «recuado» face a outros estados.

Marisa Matias dedicou esta quinta-feira parte do seu dia a um tema que lhe é muito caro, o Alzheimer - a eurodeputada foi autora do relatório sobre a Iniciativa Europeia em matéria de doença de Alzheimer e outras doenças -, tendo visitado a associação Alzheimer Portugal, em Lisboa.

«Somos um dos poucos países da União Europeia que não tem Plano Nacional de Alzheimer. É urgente que haja. Uma das recomendações da Estratégia Europeia de Combate ao Alzheimer é que haja planos nacionais em todos os países e nós aí estamos muito recuados em relação ao que tem sido feito nos outros países», lamentou, em declarações aos jornalistas.

De acordo com a eurodeputada recandidata, «fala-se em mais uma reunião» para avançar com a elaboração do Plano Nacional de Alzheimer, recordando, no entanto, que «já se falava na elaboração antes de começar o relatório», no ano de 2009.

«O que se exige para futuro é que a estratégia europeia seja cumprida e que Portugal tente desta vez, a este respeito, ser bom aluno. Que não seja só bom aluno para aquilo que nos faz mal. Seja bom aluno para respeitar também os direitos e a dignidade», concretizou.

De acordo com Marisa Matias, estima-se que em Portugal haja 153 mil pessoas com alzheimer, cada uma delas inserida numa família que tem que ser a cuidadora e para a qual há muitas implicações.

«Em muitas das famílias têm que optar por alguém que abdique de trabalhar para poder dedicar-se ao cuidado de quem sofre de alzheimer. É preciso cuidados não só para quem tem alzheimer mas também para as famílias», defendeu.

A eurodeputada realçou que em Portugal há três centros de dia especializados, com capacidade para 45 pessoas, num universo de 153 mil diagnosticadas.

«A esmagadora maioria destas pessoas ou está em casa ou está em lares, que não têm condições, nem recursos, nem meios, nem conhecimentos para poder tratar destas pessoas», evidenciou.

Número dois do BE quer eleição para fortalecer esquerda

O número dois da lista do BE às europeias, João Lavinha, recusou esta quinta-feira a ideia de que a sua eleição seja para «roubar» o oitavo eurodeputado da lista da direita, considerando que servirá para «fortalecer a esquerda no Parlamento Europeu».

Investigador na área de biologia molecular humana, João Lavinha surgiu pela primeira vez ao lado da cabeça de lista bloquista, Marisa Matias, uma vez que tem estado presente na agenda B do partido, a não mediática, a contactar com grupos específicos, «num ambiente mais de diálogo e de reuniões de trabalho».

«Do meu ponto de vista não é para roubar nada a ninguém. É para fortalecer a esquerda no Parlamento Europeu, basicamente, e para dar mais força à nossa mensagem no contexto da relação de forças no Parlamento Europeu, que bem precisa porque pende muito para a direita», respondeu aos jornalistas.

A questão a João Lavinha surgiu na sequência da ideia já defendida pelo coordenador do partido, João Semedo, pelo ex-líder bloquista Francisco Louçã e pela própria Marisa Matias de que a eleição do segundo eurodeputado do BE resultaria na perda, por parte da direita, de um lugar, neste caso o oitavo da lista da Aliança Portugal, que pertence ao CDS-PP.

«Na próxima semana vão ver-nos sempre em conjunto», respondeu Marisa Matias aos jornalistas sobre a ausência de João Lavinha nos primeiros dias de campanha na agenda oficial.

O independente deixou um repto aos jornalistas presentes: «convido-vos para nos irem ouvir no sábado, no Largo de S. Domingos, esse sítio mítico da nossa história. Acho que vai ser uma boa oportunidade para nos reencontrarmos».