PCP e BE condenaram esta quarta-feira o pedido de desculpas pedido pelo ministro da Educação e Ciência pelo erro no concurso de Bolsa de Contratação de Escola, salientando que os problemas nas escolas públicas continuam e há alunos sem aulas.

«Passados 15 dias das desculpas do Ministro (Nuno Crato), os erros e ilegalidades em torno da Bolsa de Contratação de Escola continuam por resolver», afirmou a deputada comunista Rita Rato, em declaração política no Parlamento, acrescentando que «o PCP não aceita e combaterá sempre esta política de desmantelamento e descredibilização da escola pública para favorecer a escola privada e o negócio da educação».

A coordenadora bloquista Catarina Martins especificou que, «hoje, dia mundial da música, o Conservatório de Música de Lisboa mostrou o melhor de si frente ao Ministério da Educação e, à música, juntou-se o grito: 'queremos aulas'».

«Quem diria que em Portugal, em 2014, alunos e alunas teriam de vir para a rua gritar 'queremos aulas'», criticou, frisando que, «duas semanas depois do início oficial do ano letivo, centenas de milhares de alunos em todo o país estão ainda sem aulas e não se sabe quando terão».

Para a parlamentar do BE, «não é incompetência, é opção desta direita», enquanto a deputada comunista vislumbrou uma «instabilidade deliberada para desmantelar a escola pública e transformar um direito constitucional num negócio para os grupos económicos».

«Os partidos da oposição insistem na narrativa do caos. Os problemas existem, estão identificados, mas não devem ser generalizados. O ano letivo iniciou-se com 99% das escolas a abrir no período previsto. Fazemos balanço positivo da abertura do ano letivo. Como todos os anos existem problemas e estão a ser resolvidos», relativizou o deputado do PSD Amadeu Albergaria.

O deputado socialista Agostinho Santa ironizou, questionando-se sobre o sentido do pedido desculpas de Crato, uma vez que há «tanta normalidade» nas escolas e sugeriu mesmo que o ministro da tutela pedisse «aplausos».

Rita Rato tinha elencado a carência de «239 professores nas escolas do concelho da Amadora, 16 no agrupamento Francisco Arruda, em Lisboa, 19 no agrupamento Dr. Francisco Lopes, em Olhão» e a falta de «funcionários na maioria das escolas e ilegalidades na constituição de turmas que integram alunos com necessidades especiais».

«À data de ontem (terça-feira), faltavam 30 professores na Escola António Arroio e, ainda hoje, estudantes, pais e professores da Escola de Música do Conservatório Nacional realizaram um protesto para assegurar a contratação de professores e meios materiais», afirmara também.

Segundo a deputada comunista, «o ministro da Educação pediu desculpas mas as pessoas não sobrevivem com desculpas» e «a escola pública e os seus profissionais, os estudantes e as suas famílias não resolvem os seus problemas com desculpas».

«O melhor início de ano letivo, para usar as palavras de Nuno Crato, vê quase todas as escolas do país de pernas para o ar. O ministro lá vai pedindo desculpas pela sua incompetência, mas não há desculpas que valham a quem é responsável pelas escolas não cumprirem o mínimo dos mínimos - ter aulas a funcionar», declarou ainda Catarina Martins.