O Bloco de Esquerda entregou esta terça-feira um requerimento a solicitar o registo contributivo «do cidadão Pedro Passos Coelho» entre 1999 e 2004 e quer ter acesso a toda a documentação trocada com o Instituto da Segurança Social.

Esta posição foi transmitida aos jornalistas pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, numa declaração em que usou a ironia para comentar a atuação do primeiro-ministro no que concerne ao pagamento das suas contribuições à segurança social.

«Pedro Passos Coelho, na sua ingenuidade, até poderia desconhecer que tinha de descontar para a segurança social. Durante estes anos, como todos nós, ele fez o preenchimento da declaração de IRS - e se formos ao anexo B estão lá todas as despesas, incluindo as contribuições obrigatórias para a segurança social. Então, durante cinco anos consecutivos, passadas cinco declarações de IRS, o senhor primeiro-ministro nunca deu conta que havia lá um quadrozinho em que era obrigado a dizer quanto descontou para a segurança social? Isto é no mínimo caricato».


Mariana Aiveca também recusou as críticas do primeiro-ministro sobre a existência de uma alegada perseguição pessoal em ano de eleições legislativas.
 

«O Bloco de Esquerda não tem a ver rigorosamente nada com a vida do primeiro-ministro. O que queremos ver esclarecido tem a ver com a responsabilidade política, com as obrigações legais e contributivas de quem chefia o Governo».


A deputada do Bloco de Esquerda considerou depois inaceitável o argumento de Pedro Passos Coelho «de que desconhecia as suas obrigações perante a segurança social».

«Logo ele que cortou bolsas de estudo a estudantes universitários por força de os seus pais não terem contribuições pagas ou terem alguma dívida à segurança social», comentou, antes de referir que as dúvidas sobre a carreira contributiva do primeiro-ministro, designadamente entre 1999 e 2004, «se adensam todos os dias».
 

«Como o valor que Pedro Passos Coelho diz ter pago é diferente daquele que se calcula, todos temos interesse que a questão seja clarificada. Numa espécie de tentativa de responsabilização dos serviços da segurança social, Pedro Passos Coelho não pode continuar a afirmar que desconhecia a lei, porque a obrigatoriedade dos trabalhadores independentes pagarem a segurança social é de 1982».