A polémica estalou no dia em que o Governo caiu. No Porto Canal, o comentador Pedro Arroja analisava a situação política portuguesa quando, a certa altura, disse que o Bloco de Esquerda "é o mais radical deles todos", dos partidos à esquerda. E continuou a criticar o partido, avisando que ia utilizar um tom depreciativo sobre as  "meninas do Bloco de Esquerda" no Parlamento.

"Repare, aquelas esganiçadas, sempre contra alguém ou contra alguma coisa. Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, eu não queria nenhuma daquelas mulheres – já tenho pensado – eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada"


O teor das considerações rapidamente se espalhou pelas redes sociais e o próprio Bloco de Esquerda não as deixou passar em branco, fazendo questão de colocar o vídeo com todo o comentário de 16 minutos no site Esquerda.net

"Não obstante o caráter lúdico da prestação do Dr. Pedro Arroja", escreve o deputado Jorge Campos, em nome do grupo parlamentar do BE, que "levantam perplexidade pelo carácter ofensivo e misógino com que se referiu a deputadas do Bloco de Esquerda".

Ao mesmo tempo, remete para o que prevê a Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido sobre o respeito da dignidade da pessoa humana, direitos, liberdades e garantias fundamentais.

"Os serviços de programas televisivos e os serviços audiovisuais a pedido não podem, através dos elementos de programação que difundam, incitar ao ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, (sublinhado meu) pela orientação sexual ou pela deficiência. Sendo hoje absolutamente consensual que o incitamento ao ódio racial ou religioso é inaceitável, o mesmo não é adquirido no que respeita ao sexo e ao género", argumenta. 

O Bloco admite que a direção do Porto Canal não poderia "prever ou limitar a opinião do seu convidado" mas entende que é a ela que cabe "emitir de imediato um pedido de desculpas formal e estabelecer um distanciamento inequívoco relativamente às declarações do Dr. Pedro Arroja".

Também Francisco Louçã, fundador do partido, já expressou a sua indignação no Facebook, considerando que Pedro Arroja é "um azeiteiro". 

No Twitter, há um rol de comentários críticos e outros a puxar ao humor. Alguns exemplos: