Entra em palco e sobe o habitual degrau, encostado ao púlpito, para ficar à altura dos microfones. Faltou também pouco para ficar à altura daquilo que reclama. "Tivesse o Bloco tido mais força e o Banif não tinha sido entregue ao Santander", reclama Catarina Martins. Mas faltou um pouco mais de 10% dos votos nas eleições legislativas para o partido ter mais influência junto do Governo. Pudesse a porta-voz bloquista e nem havia negócio com o Santander, nem Carlos Costa continuava governador do Banco de Portugal.

É uma diferença clara em relação ao Governo de António Costa. Aliás, as referências ao primeiro-ministro e ao PS foram constantes, umas mais sonoras que outras. 

Pedro Filipe Soares arrancou o som das palmas, até então mais tímidas que expansivas, ao vincar a diferença entre ambos partidos: "Será que podemos escrever num jornal ou dar uma notícia a dizer «Bloco ameaça PS que se não defender Portugal vamos ter uma crise»? PS já sabe que o Bloco se vai bater sempre pelo interesse de Portugal".

O líder parlamentar ainda acrescenta que o partido nunca trocará "valores por lugares", nem "regalias por direitos das pessoas". E em relação à Europa, desmembrada e com ameaças de sanções a Portugal, respondem claramente "desobedecer!".

"Quer o Bloco de Esquerda ser Governo?"

A moção A é subscrita por Catarina Martins e por Pedro Filipe Soares, que na última Convenção eram adversários. Agora juntam-se para dizer que, à esquerda, querem ser os líderes de uma maioria. Mas que maioria? Com que tipo de acordos? Com que coligações? Foi isso que quiseram saber os subscritores das duas outras moções apresentadas na Convenção. Antes de testar novamente a capacidade mobilizadora em eleições legislativas, o partido tem outros desafios pela frente, nomeadamente as eleições autárquicas. O repto já foi lançado: "seja coligações", seja qualquer outra fórmula, diz um congressista, o que é preciso é ter um bom resultado vereadores que façam a diferença.

Até lá, os bloquistas deixa um caderno de encargos ao Governo. Banca pública, fim dos offshore e reestruturar a dívida pública. Missão amplamente repetira quer pelo antigo líder Francisco Louçã, quer pela ala mais esquerda como Luís Fazenda, ou pela deputada que se destacou nos últimos tempos Mariana Mortágua. Todos com o mesmo desígnio: colocar o sistema financeiro ao serviço dos portugueses "doa o que doer".

O líder histórico Francisco Louça deixa clara a determinação bloquista: "Não falhamos, não recuamos, cumprimos e cumpriremos, damo-vos uma certeza: medida a medida não andamos para traz. Nunca deixaremos cair." Recado dado ao PS.