As posições dos partidos e da Comissão Europeia em relação ao impacto do Novo Banco no défice está a aquecer a campanha eleitoral. Desta vez, a porta-voz do Bloco de Esquerda afirmou que a Comissão Europeia "atira uma pedra e esconde a mão", isto é, "gosta de fazer ingerência e depois gosta de fazer de conta que não fez".

"A Comissão Europeia gosta de fazer ingerência e depois gosta de fazer de conta que não fez. É tipo atirar a pedra e esconder a mão. [...] Quando a Comissão Europeia decide fazer uma afirmação que não é factual e que o que faz é proteger a propaganda eleitoral, neste caso do PSD e CDS, está a ingerir na campanha eleitoral. "


As declarações de Catarina Martins, feitas esta segunda-feira à margem de uma ação de campanha em Coimbra, surgem depois de a Comissão Europeia ter rejeitado interferência na campanha eleitoral. Recorde-se que o partidos da oposição, incluindo o Bloco, acusaram Bruxelas de interferir na campanha, depois de o vice-presidente, Valdis Dombrovskis, ter afirmado que o impacto do Novo Banco no défice era apenas "um dado contabilístico".

A dirigente bloquista justificou a sua posição com os dados do ICGP.

"Sabemos pelo ICGP da nova dívida que está a ser emitida, dos mais juros que vamos ter de pagar por não podermos pagar dívida atrasada, por causa precisamente do Novo Banco. Os dados do ICGP o que nos dizem é que o buraco do défice criado pela resolução do BES está a provocar mais dívida ao país, mais encargos aos contribuintes,"


Mas as críticas não ficam por aqui. A porta-voz do Bloco reagiu ainda a um relatório da Comissão Europeia, divulgado esta segunda-feira, que assinala que há margem para aumentar os impostos no país. Catarina Martins não tem dúvidas: "A Comissão Europeia parece não conseguir parar de se ingerir nas eleições em Portugal e isso não é admissível."

A candidata às legislativas questionou se "qualquer pessoa que vive e trabalha em Portugal acha mesmo que há margem para subir os impostos". E voltou a reiterar a sua posição: "Não é admissível que a Comissão Europeia entre nas eleições em Portugal para dizer o que se deve escolher ou fazer."

Catarina Martins aproveitou para deixar um conselho a Bruxelas: "Acho que seria mais prudente que a Comissão Europeia, daqui até 4 de outubro, se abstivesse de qualquer comentário. Está a meter-se onde não se devia."