Miranda do Corvo acordou bem cedo para a feira semanal. Legumes e animais, roupa, calçado e até discos de música enchiam, sob um céu muito luminoso, as bancas espalhadas pelo centro da vila, junto ao mercado. Eram 9:30 e já se ouviam as gaitas de foles. Anunciavam a chegada da caravana do Bloco de Esquerda. À frente, a porta-voz Catarina Martins e José Manuel Pureza, cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Coimbra.

Começaram por uma visita ao mercado. E não foi preciso muito tempo até que se ouvisse "Ah, grande Catarina!". Entre os corredores que separavam as frutas dos vegetais, o peixe da carne, a dirigente do Bloco confirmou uma vez mais a popularidade que vem em crescendo desde os debates televisivos. 

"Ela é uma pessoa competente. E acho que a gente tem de ir um bocadinho mais à esquerda." Graça, 75 anos, trabalha no mercado há tanto tempo que não consegue precisar. Mas quanto à governação PSD/CDS-PP, não há dúvidas: "Este Governo prejudicou-nos muito."

Duas palavras-chave sobre Catarina Martins marcaram a arruada desta quarta-feira: "competência" e "autenticidade". Esta última foi sublinhada por Alfredo Carvalho, ex-técnico de contas e agora reformado. Alfredo foi ter com Catarina Martins para lhe dizer que pode contar com o seu voto. "É seguro", vincou.

"O meu voto é para si, é seguro. Eu não voto em partidos, voto nas pessoas."


E o que tem Catarina Martins, que os outros candidatos não têm? Alfredo Carvalho, de 70 anos, contou-nos o que pensa da candidata às legislativas.

"É uma pessoa autêntica, Tudo o que diz tem sentido e não gagueja. Vê-se no rosto."


Falou-nos da bloquista com entusiasmo, admitindo que nunca votou no Bloco de Esquerda, para depois recordar "a sorte" que teve em não se ter deixado "convencer" por Pedro Passos Coelho. Ele que não vota em partidos, mas em pessoas, esteve muito perto de votar no ainda primeiro-ministro, em 2011.

"Nas últimas eleições fui àq estação de Miranda do Corvo ouvir Passos Coelho a falar. Ele não me convenceu e foi a minha sorte porque estava determinado a votar nele."

Em Miranda do Corvo, a vila não esquece uma promessa que ficou na gaveta. O comboio acabou, mas o metro anunciado nunca chegou. "Tiraram-nos o comboio", lembra Maria Alice, de 60 anos, uma das populares mais insatisfeitas.

Para Catarina Martins, o caso é um retrato das "muitas promessas" que "têm sido feitas e que têm sido quebradas no país". E deixou uma farpa: certamente "houve conselhos de administração a ganhar  muito dinheiro" com isso.

 "As pessoas acreditaram que iam ficar melhor e depois perderam o comboio, nunca tiveram um metro. Houve certamente conselhos de administraçao a ganhar muito dinheiro ao longo deste tempo, mas quem vive em Miranda do Corvo ficou cada vez pior e este é o retrato das muitas promessas que têm sido feitas no país e que têm sido quebradas."


Do mercado a caravana saiu para a praça.  Já no final da arruada, a candidata apelou ao voto, sublinhando "a falta que José Manuel Pureza faz na Assembleia da República". De cravo na mão, Catarina Martins voltou a pedir "mudança". E hoje houve alguém que replicou: "Mudança? É a mulher ideal para isso".