A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins afirmou este sábado que «há uma certa candura do primeiro-ministro» ao reconhecer que enquanto não houver eleições «dificilmente alguém retira o rating do país de lixo».

«Hoje, Pedro Passos Coelho dizia que compreendia que as agências de rating não tirassem o rating do país do lixo até às eleições legislativas. Há uma certa candura do primeiro-ministro em reconhecer que enquanto ele for primeiro-ministro dificilmente alguém retira o rating do país de lixo», declarou Catarina Martins, num encontro com jovens dirigentes bloquistas, no Liceu Camões, em Lisboa, durante o qual se debateu o combate à precariedade laboral.


A porta-voz bloquista reagia assim às declarações de hoje de Passos Coelho, que, ainda em Tóquio, no final de uma visita de três dias ao Japão, declarou que é «pouco provável» que as agências de rating melhorem a notação de Portugal até às eleições, preferindo aguardar pelo ato eleitoral para aferir do prosseguimento do «caminho» de «consolidação orçamental» e «reformas estruturais».

«Interessa-nos pouco o que dizem as agências de rating, porque sabemos que elas protegeram sempre quem criou a crise financeira, sabemos que elas fazem parte do problema e nunca da solução», afirmou Catarina Martins, que defendeu também que a subida do nível do rating do país seria necessária para quem «olha para o país, com 15, 20, 30 anos e pensa que, se calhar, não pode construir a vida aqui».


Catarina Martins acusou ainda o Governo de «completo desvario» e de «utilizar qualquer coisa para fazer propaganda», numa reação à notícia de hoje do jornal Expresso sobre a alegada discrepância nos números avançados pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, para defender a criação de uma lista de abusadores de menores, consultável por um espetro alargado de cidadãos, incluindo pais de crianças menores, e os avançados pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) ao Expresso.

Catarina Martins declarou que o «populismo do Governo» aliado a um «completo aparente desconhecimento» da questão criaram «um ruído [...] que era completamente desnecessário e injustificado», acrescentando que «a justiça popular, não é, nunca foi, uma forma de resolver problema nenhum da Justiça num país democrático».

Sobre um manifesto lançado pelo professor universitário Manuel Loff, intitulado «Manifesto para uma esquerda que responda por Portugal», e que junta nomes do Bloco e do PCP, Catarina Martins declarou que vai «ler com toda a atenção» o documento e que «todas as propostas concretas são bem-vindas».

Segundo a edição de hoje do Expresso, o manifesto junta nomes como Fernando Rosas, do BE, Mariana Avelãs e Jorge Leite, fundadores do Congresso das Alternativas, e do capitão de Abril Pezarat Correia que, em conjunto, defendem um entendimento do BE e do PCP para as próximas legislativas, contra o PS e a coligação PSD/CDS-PP.

Catarina Martins comentou ainda as declarações do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que na sexta-feira considerou haver um «incómodo incompreensível» daqueles que tentaram esconder as palavras do secretário-geral da OCDE ao dizer que Portugal podia crescer 2% este ano, tendo reiterado ainda que «intriga e polémicas político-partidárias não criam um único emprego».

«Não há ninguém em Portugal que não queira crescimento económico, não há ninguém em Portugal que não queira uma boa notícia sobre emprego. Venham elas», disse a porta-voz do Bloco.