A deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua, que acompanhou no parlamento catalão a declaração de independência da Catalunha, defendeu esta terça-feira o respeito pela “vontade da maioria” dos catalães e que “a bola está do lado” do governo de Madrid.

O presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, declarou esta terça-feira no parlamento regional que assume o “mandato do povo” para que a Catalunha seja um “Estado independente”, mas propôs a suspensão dos seus efeitos para procurar o diálogo com Madrid.

Com esta posição, as autoridades catalãs colocam “a bola do outro lado” e insistem “mais uma vez no apelo ao diálogo, do qual possa resultar o respeito pela vontade da maioria dos catalães”, considerou em declarações à Lusa Joana Mortágua, que assistiu à sessão no parlamento catalão a convite da CUP (Candidatura de Unidade Popular, extrema-esquerda).

O presidente da Catalunha fez um discurso muito claro em relação ao governo central e a Mariano Rajoy [presidente do executivo de Madrid], explicando por que é que a saída natural para a sociedade catalã, perante o desrespeito pelas escolhas dos catalães, é a criação de uma república independente”, disse, comentando que “por sucessivas vezes, a maioria catalã se expressou e foi ignorada”.

Na opinião da deputada do Bloco de Esquerda (BE), cabe agora a Rajoy decidir “se quer responder com mais repressão”.

Sobre o ambiente no exterior do parlamento catalão, onde milhares de pessoas acompanharam o discurso de Carles Puigdemont perante os deputados regionais, através de ecrãs gigantes, a deputada bloquista descreveu que se assemelhava a “um estádio ao rubro”.

A proposta de suspensão da declaração de independência foi recebida com “uma quebra de adrenalina imediata” e as pessoas rapidamente começaram a dispersar.

As pessoas não estão alegres nem tristes, estão sem perceber o que vai acontecer”, relatou.

Mortágua recordou que a Constituição portuguesa defende o direito à autodeterminação dos povos.

“Esse é o princípio que seguimos, não para nos imiscuirmos na política interna de outro país, mas porque há um povo que exprime isso democraticamente e tem de ser respeitado”, sublinhou.

A deputada, que esteve nos últimos cinco dias em Barcelona, comentou ainda que não notou “um clima de medo” nas ruas, mas sim “uma tensão”.

“As pessoas estão preocupadas e ansiosas, mas a cidade funcionou normalmente”, afirmou.