A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou “um insulto” aos portugueses o elogio que Passos Coelho fez, na semana passada, a Dias Loureiro.

A bloquista lembrou o custo do “buraco do BPN” para os contribuintes e relacionou mesmo o empresário com a editora da biografia de Passos Coelho lançada ontem, acusando o primeiro-ministro de ter “aproveitado” para “enxovalhar” o CDS.
 

“Quando o Estado tentou penhorar os bens de Dias Loureiro, ele não tinha nada em seu nome, tinha tudo em nome de familiares. Um homem que não tinha nada, mas veja lá que é tão metódico que até conseguiu, anos depois, comprar parte da editora que editou seu livro, em que aproveita para se queixar dos SMS de Paulo Portas e enxovalhar o CDS.”


Catarina Martins, que recordou as conclusões da comissão de inquérito ao escândalo do BPN, acusou Dias Loureiro de ter "esbanjado todo o nosso dinheiro" e de ter protagonizado esta "fraude" como um exemplo de "facilitismo".
 

“O mais difícil é encontrar exigência, facilidades é fácil. Dias Loureiro veio do Conselho de Ministros de Cavaco para um banco laranja e para fazer negócios utilizando os lobbies do poder político.”


Na resposta, Passos Coelho mostrou-se desagradado com a “intriga política” suscitada, assegurando que “nunca na vida” enxovalhou "o líder do principal partido da oposição". Uma gafe que provocou alguns risos, já que se referia à polémica da demissão de Paulo Portas, no verão de 2013.

 

“A senhora deputada está equivocada porque dentro do Governo e da maioria sabemos superar as nossas dificuldades. Este é o primeiro Governo de coligação que terminará o seu mandato, o que diz muito sobre, apesar das nossas diferenças, sabermos superá-las e termos maturidade suficiente para resolver os nossos problemas, pondo o país em primeiro lugar.”


O primeiro-ministro optou por insistir ainda no elogio a Dias Loureiro, sublinhando que as “facilidades” de “outros governos” saíram “muito caras” e que, no seu Executivo, houve antes um “reforço das autoridades da concorrência”, “abrindo o mercado à competição e não ao favor”.
 

“Espero que Dias Loureiro não se sinta visado por eu ter suposto que, com o que viu no mundo e a experiência que adquiriu, não é por se viver no interior, como ele, que não podemos vencer na vida e ter negócios bem sucedidos.” 


Catarina Martins voltou então ao ataque, referindo que o elogio a Dias Loureiro “é um insulto ao país e aos empresários honestos”, e que Passos Coelho mostra assim que “protege um grupo de privilegiados que usou o Estado em proveito próprio”.
 

“Dias Loureiro é parte do que enterra Portugal. O seu elogio é parte da sua forma de ver o país, como um pote de um grupo impune que pode fazer o que quer.”


O primeiro-ministro conclui então que o Governo “não interfere” na Justiça e saudou o que tem sido feito nos processos mais mediáticos.
 

“Nestes quatro anos, as autoridades investigaram o que quiseram e não passaram cartão ao Governo, porque não têm de o fazer.”