O tema do salário mínimo, das pensões e os serviços dos públicos deram o mote à primeira intervenção do Bloco de Esquerda, pela voz de Catarina Martins, no de debate do Estado da Nação no Parlamento. A líder do Bloco quis passar a mensagem de que só com o apoio do seu partido e não fazendo frente à Europa, ao contrário do Governo anterior, foi possível alcançar, por exemplo, a aumento do salário mínimo.

Catarina Martins citou a entrevista de Augusto Santos Silva, ao jornal Público e Renascença, onde o ministro referiu que o próximo acordo com os partidos à Esquerda deveria incluir as matérias europeias.

A bloquista contrariou as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros para dizer que “o Governo português rejeitou a chantagem europeia” ao decidir aumentar o salário mínimo, com o apoio e incentivo da Esquerda e com bons resultados.

“Aprendamos com o caminho feito: valeu a pena cada uma das vezes que defendemos o país, apesar de Bruxelas”, disse Catarina Martins. “Se o país precisa agora de reconstruir os seus serviços públicos, porquê adiar uma estratégia orçamental” que leve essas áreas tão a sério como as metas do défice, perguntou.

A coordenadora do partido queria que o chefe de Governo assumisse o “enorme falhanço da estratégia europeia”, advertindo que não há consolidação orçamental sem crescimento económico.

António Costa respondeu à dirigente do Bloco, referindo que os acordos entre os partidos à Esquerda têm sido cumpridos. “Há três anos era absolutamente dramática a situação que vivia a nossa dívida pública”, relembrou. “Conseguimos demonstrar (…) que apostar na devolução de rendimentos” fez reduzir o défice e a dívida.

“Se me pergunta se eu concordo com o Tratado Orçamental, eu não concordo, não concordava, e um dia desejo mudá-lo”, referiu. “Até lá, temos de o cumprir”.

PCP aponta preocupações para os jovens 

O PCP fez resumo dos "feitos alcançados" durante a legislatura, graças ao seu partido, mas não deixou de apontar o dedo ao Governo, No caso da legislação laboral, para o líder da bancada comunista, Jerónimo de Sousa, o Governo agiu contra os interesses dos trabalhadores.

O secretário-geral comunista considerou que quando o PS converge com o PCP a vida em Portugal melhora.

O líder do PCP defendeu, no entanto, ser preciso "ir mais longe na defesa, reposição e conquista de direitos", salientando o aumento geral de salários, pensões, reformas e apoios sociais, por exemplo, reiterando a "política, alternativa, patriótica e de esquerda", com um "eixo central": a "revogação das normas gravosas da legislação laboral" e o combate à precariedade, baixos salários e horários desregulados.

"Que caminho, afinal, quer o Governo fazer?", inquiriu Jerónimo de Sousa.

Segundo o secretário-geral comunista, nos "dois últimos anos e meio, onde a reposição de direitos e rendimentos, onde anseios e preocupações dos trabalhadores e do povo tiveram resposta, ainda que limitada e insuficiente, a vida avançou no sentido certo", mas "onde se mantiveram opções do passado e da política de direita, onde o Governo travou os avanços e se acentuaram a convergências entre PS PSD e CDS, os problemas mantêm-se ou agravam-se".

No final da sua intervenção, Jerónimo de Sousa, apela para que o primeiro-ministro “fale dos jovens” e do apoio que vai ser dado às pessoas que queiram agora constituir família e construir um futuro.

“Os jovens querem trabalhar e viver no seu país, mas se lhe negam ou precarizam o futuro, o que fazem às suas vidas?”, perguntou. “Não me responda mim, responda-lhes a eles”, conclui.

Na resposta, o chefe do Governo disse que partilhava do "balanço claramente positivo destes dois anos e meio.”

"Este é o caminho que nós queremos percorrer. Que queremos continuar a percorrer. Que entendemos que há condições para continua a percorrer e com a companhia com que temos estado a percorrer. Esta é a nossa posição e o nosso desejo", voltou a frisar o primeiro-ministro, reforçando a desejo na continuação da Geringonça que tinha deixado claro no seu discurso inicial.

Bloco disponível para negociar Orçamento

Mariana Mortágua não perdeu a oportunidade da sua intervenção para deixar mais uns avisos ao Governo. Aproveitando o embalo do colega de bancada. Pedro Filipe Soares: "O senhor primeiro-ministro diz que a geringonça está no coração dos portugueses. Pergunto-lhe se a geringonça ainda está no coração do Partido Socialista?", Mortágua reforçou que: "A maioria política para o ser, não deve resumir-se apenas ao momento da aprovação do Orçamento. (...) a verdade é que o Governo tem procurado outros compromissos, bem longe dos seus parceiros."

E deixou o desafio ao Governo para se colocar do lado da Esquerda no debate do próximo Orçamento. "Estamos disponíveis para negociar o próximo Orçamento do Estado", assegurou a bloquista.