A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, exigiu este sábado ao primeiro-ministro que mostre o seu registo de contribuições para a Segurança Social e fiscal antes do debate quinzenal de quarta-feira na Assembleia da República.

Ao discursar num almoço comício do Bloco de Esquerda em Pechão, no concelho de Olhão, Catarina Martins disse que, se Pedro Passos Coelho não esclarecer as dúvidas que o partido tem sobre as contribuições que devia ter pago à Segurança Social entre 1999 e 2004, não tem condições para exercer o cargo.

Catarina Martins considerou que este assunto é «sério», disse estar «em causa o regime e a democracia» e defendeu que «Pedro Passos Coelho tem que responder», porque este é um assunto que «já se arrasta há tempo demais» e «há tempo demais que o primeiro-ministro dá explicações que nada explicam e que só contribuem para insultar o país».
 

«E portanto é bom que o senhor primeiro-ministro o faça e o faça antes de quarta-feira, quando há debate quinzenal na Assembleia da República. Porque não pode um primeiro-ministro que está sob suspeita de não respeitar as mais básicas obrigações como cidadão, estar a responder ao parlamento enquanto primeiro-ministro, sem ter explicado exatamente tudo o que fez e tudo o que pagou».


Catarina Martins disse que hoje foram públicas na imprensa notícias que dão conta de que «dos 58 meses de calote que o senhor primeiro-ministro deu à Segurança Social quando ainda era só o Pedro, terá pagado apenas 32 meses».

«Ou seja, há 26 meses de calote na Segurança Social ainda», criticou, frisando que isto causa um «problema político» ao Governo, que tem tido ao longo destes anos «um discurso moralista sobre os portugueses» e os fez serem «fiscais uns dos outros», além de as suas primeiras habitações serem penhoradas caso tenham dívidas ao fisco.

Por isso, Catarina Martins disse que o Bloco vai apresentar um projeto de resolução no parlamento para proibir a penhora de primeiras residências a pessoas com dívidas ao fisco, que disse ser prática de um país que «não é sério e que respeite as pessoas». «Não há nada que justifique que alguém fique sem teto para morar», defendeu.