BE e PCP recusaram "a espanholização" da banca portuguesa ou a entrega de capital "à família do poder angolano", com os bloquistas a defenderem que o sistema financeiro é um instrumento de soberania que não pode ser alienado.

As notícias que saíram nos últimos dias são preocupantes e é preciso dizer que em vez de procurar um equilíbrio entre o capital angolano e o capital espanhol, o Governo de Portugal tem de encontrar um equilíbrio e uma resposta para a estabilidade do sistema financeiro português e para garantir que nós temos o controle estratégico do sistema financeiro", defendeu a deputada do BE Mariana Mortágua, no plenário da Assembleia da República, citada pela Lusa.

O secretário-geral do PCP, defendeu o controlo público da banca, para se poder "decidir soberanamente sobre o nosso setor financeiro". 

Andam para aí notícias hoje onde se discute a questão do futuro do BPI, se vai para os espanhóis, se vai para os angolanos, pois nós queremos dizer que o problema não está no capital angolano, nem no capital espanhol, ou seja de quem for, o problema é que tratando-se da banca, temos que afirmar a nossa soberania."

Jerónimo de Sousa falava no encerramento do seminário "Controlo público da Banca, condição para o desenvolvimento e soberania nacional", quando foi questionado sobre o manifesto contra o eventual domínio espanhol da banca portuguesa que está a ser preparado. Para o secretário-geral do PCP, o problema da banca não está na origem do capital, mas sim no facto de não haver controlo público, insistindo na necessidade de nacionalizar o Novo Banco.

Depois de encharcar dinheiro para tentar tapar aquele buraco aberto pelos banqueiros, então não é o momento para, em vez de entregar ao capital estrangeiro, seja este ou seja aquele, então não era a boa altura para o controlo público, para a nacionalização desse banco?", questionou, referindo-se concretamente ao Novo Banco.

Apesar das críticas, o dirigente do PCP admite que o cenário da banca portuguesa podia ainda ser pior.

Mas a verdade é que, sem o Estado, sem a intervenção do Estado, sem os auxílios financeiros, os amparos fiscais e as garantias do Estado, o sistema bancário português estaria ainda mais profundamente debilitado, senão em colapso", disse.

O PSD exigiu explicações a António Costa sobre o alegado envolvimento do Executivo nas negociações entre Isabel dos Santos e o BCP depois de ter vindo a público que o Governo terá autorizado a entrada de Isabel dos Santos no capital do banco.