O Bloco de Esquerda (BE) trouxe esta quarta-feira para o debate parlamentar o aumento do salário mínimo nacional advogando que Portugal vive um "tempo novo de recuperação de rendimentos", com o PSD a alertar para um "conjunto de inverdades".

"Há mais de um milhão de trabalhadores que podem contar agora com uma garantia: o seu salário vai subir já em 2016 e atingirá pelo menos os 600 euros nesta legislatura", vincou o deputado bloquista José Soeiro numa declaração política no parlamento.

Na sua intervenção, Soeiro advogou que o anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (PSD), declarou no passado, "quando confrontado com a proposta de subir o salário mínimo", que a medida "mais sensata" num país com elevado número de desempregados seria "fazer o oposto", com os sociais-democratas a criticarem o deputado bloquista.
 

"Nunca o doutor Pedro Passos Coelho propôs uma descida do salário mínimo nacional. Foi o governo liderado por Pedro Passos Coelho que aumentou o salário mínimo nacional", sinalizou a deputada Clara Marques Mendes.


A parlamentar lembrou que o executivo PSD/CDS-PP "esteve impossibilitado enquanto a ‘troika' esteve em Portugal" de aumentar o salário mínimo, e tal subida foi "a primeira medida" tomada após a saída das instituições internacionais do país.

À esquerda, João Galamba (PS) definiu este tema como "um dos mais importantes desta legislatura" com o Governo de António Costa a liderar o país, e o comunista João Oliveira lembrou que o seu partido apresentou em legislaturas recentes várias propostas - que a direita recusou - para o aumento do salário mínimo.

O bloquista José Soeiro definiu ainda o aumento do salário mínimo como "uma questão básica de justiça num país com a maior desigualdade salarial da Europa".

Mais, o aumento deste valor representa "uma medida da mais elementar sensatez económica", já que "beneficia as atividades da maioria das micro e pequenas empresas", quem "mais ganhará com o efeito positivo no aumento da procura interna".

E acrescentou: "o país tem hoje uma nova maioria, essa maioria existe no parlamento porque existe no país, essa maioria tem um acordo para interromper o ciclo de empobrecimento dos últimos anos".

O salário mínimo nacional vai ser discutido na quinta-feira em Concertação Social numa reunião convocada pelo primeiro-ministro, António Costa.