A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu hoje em Olhão o fim dos abusos dos estágios e contratos emprego-inserção, a sua dignificação do trabalho com a garantia que cada posto de trabalho corresponde a um salário.

Durante um dos comícios intitulados “Um país não se vende”, que o BE está a realizar durante esta semana no Algarve, Catarina Martins deixou duras críticas aos estágios e em particular aos contratos emprego-inserção e lamentou que o Estado recorra a este tipo de situação para manter as escolas, os hospitais, centros de saúde e outros serviços a funcionar.

“Os contratos inserção-emprego são três palavras para três mentiras. Não são contratos porque não é um contrato de trabalho, não é emprego porque nem sequer há salário e não é inserção porque no fim do ano vão para o olho da rua e não há nenhuma possibilidade de continuarem naquele posto de trabalho”, vincou.

“Acabar com o abuso é o primeiro passo para defender o futuro do país”, frisou.


“O Governo destruiu 218 mil postos de trabalho, sete em cada dez dos poucos empregos que criou são estágios, seis deles são estágios financiados pelo Estado”, contou afirmando que o Estado está a financiar o abuso.

Alertando que a abstenção nas próximas eleições legislativas podem servir a direita a manter-se no poder, Catarina Martins vincou a necessidade de que quem não está satisfeito com o rumo do país votar em que propõe um rumo diferente contra a austeridade.

Segundo a porta-voz do BE os portugueses podem escolher entre três caminhos: o do PSD, o do PS e o do Bloco de Esquerda, ou seja, continuar o rumo assente na austeridade que o atual Governo definiu, o caminho socialista que considera pouco definido ou o caminho do BE que quer pôr fim à austeridade.

Catarina Martins criticou ainda que no momento em que se aproximam as legislativas surjam poucas propostas, pouca análise sobre a situação do país e que o PS tem estado embrenhado nas presidenciais.

“O PS agora parece interessado em falar das eleições presidenciais. A única coisa que nós percebemos é que eventualmente se percebem melhor as diferenças dentro do PS sobre as presidenciais do que a diferença entre a estratégia que o PS propõe para o país e o que a direita (PSD/CDS) têm feito até agora”, afirmou.