A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou esta quinta-feira o PS por “não ter tido uma posição clara” sobre o processo de fusão das empresas de abastecimento de água em alta, decidido pelo Governo “ao arrepio” das autarquias.

“É muito importante que quem vai às eleições seja claro sobre aquilo que pretende para o país e o PS não pode, por omissão, estar de lado do PSD/CDS a promover uma fusão das águas em alta, que as autarquias não querem, e que abre a porta à privatização futura de um bem que é essencial”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas, no edifício da Câmara do Porto, após reunir com o presidente, o independente Rui Moreira.

Considerando que este tema abordado na reunião com Rui Moreira tem “particular atualidade”, tendo em conta que a autarquia decidiu, “e bem”, informar os munícipes (por carta no início de julho) sobre o processo de fusão avisando-os de que a água pode aumentar até 40% por culpa do Governo, Catarina Martins criticou esta decisão governativa que visa “uma futura privatização das águas”.

“O Governo decidiu obrigar a uma fusão das águas em alta, que as autarquias não queriam e não pediram, para potenciar uma futura privatização das águas. Este é, portanto, o Governo que acha que todo o país se vende, até a água se pode vender e até ao arrepio da vontade das autarquias”, sublinhou.

Para a porta-voz do BE, o processo de fusão “foi feito com falso pretexto”, porque “é mentira” que permita poupar recursos, como alegou o Governo, e “o que faz, de facto, é pôr toda a gente a pagar mais a água”.

“É uma forma de privatização e nós não aceitamos a privatização da água”, disse.

Considerando ser “natural que se usem todos os instrumentos para travar este autêntico assalto ao país com as privatizações”, designadamente a Justiça, Catarina Martins sublinhou, contudo, que “este é um problema político”.

“Interessa-nos, também, sermos capazes de assumir responsabilidades políticas, os tribunais não têm de resolver os problemas que dizem respeito à política. O que é preciso é não fazer a fusão das águas em alta e, claramente, dizer que a água não pode ser privatizada em Portugal, seja em alta seja em baixa”, afirmou.

Catarina Martins referiu, também, que nesta reunião foram ainda abordados outros “pontos de convergência que o BE tem com o presidente da Câmara” do Porto, designadamente a subconcessão dos transportes do Porto e os fundos do Portugal 2020, “distribuídos de uma forma antidemocrática, com as comissões de coordenação e desenvolvimento regional a servirem de capataz do Governo, sem ouvirem as autarquias e sem conhecerem as realidades do país”.