A coordenadora do BE acusou sexta-feira o candidato à liderança do PS, António Costa, de criar uma «ilusão» ao apresentar-se como «uma alternativa» mas continuar a aceitar o tratado orçamental e nada dizer sobre a reestruturação da dívida pública.

Em Braga, para mais uma sessão dedicada aos Pecados Capitais do Orçamento do Estado para 2015, Catarina Martins acusou ainda o PS de se manter alinhado com a direita no que respeita ao diretório europeu e de não querer «verdadeiramente romper» com a austeridade.

A líder bloquista acusou ainda o Governo de desvalorizar o debate do Orçamento do Estado, apontando o comportamento «insultuoso e malcriado» do ministro da Economia, na quinta-feira, na Assembleia da República que, disse, «não deu nenhuma resposta concreta» e preocupou-se com uma «taxa eventual» de 50 cêntimos sobre dormida de turistas em Lisboa.

«Quem diga que quer ser alternativa mas depois não queira aceitar os instrumentos que significam a saída da austeridade, que são a renegociação da dívida e a rejeição do tratado orçamental, está a criar uma ilusão, nós não colaboramos com ilusões», afirmou Catarina Martins, referindo-se à apresentação de António Costa da sua «Agenda para a Década».

Ou seja, prosseguiu, «acha que se pode falar do futuro sem falar da dívida pública», na qual Portugal «gasta mais do que na Escola pública».

Segundo Catarina Martins, o candidato a líder do PS apresentou um programa no qual «desiste de rejeitar o tratado orçamental, diz que é preciso ter uma leitura inteligente de um tratado orçamental», mas, alertou, «de leituras inteligentes de documentos estúpidos está o inferno cheio».

A líder do bloco apontou ainda ao dedo aos socialistas: «Aquilo que vemos é um PS que se mantem alinhado com a direita no que respeita ao diretório europeu e à imposição através da Europa de mais austeridade, é um partido socialista que não quer verdadeiramente ser alternativa, não quer verdadeiramente romper com a austeridade».

Sem responder diretamente à questão se o BE está disposto a fazer uma aliança à esquerda com o PS, a líder do BE disse, no entanto, que o bloco «nunca faltará nas políticas que protegem nas pessoas, numa rutura com a austeridade, devolver o poder dos salários, criar emprego».

O Governo foi também alvo de críticas por parte do BE, que acusou o executivo liderado por Pedro Passos Coelho de não valorizar a discussão do Orçamento do Estado.

«É o momento para ouvir perguntas, respostas, achamos que debater o orçamento do Estado é importante e nós registámos que este governo tem vindo a desvalorizar o debate do orçamento do Estado, o que é grave numa democracia», referiu.

O outro exemplo que Catarina Martins apontou como nota da desvalorização do Governo à discussão do Orçamento do Estado foi a intervenção, quinta-feira, do ministro da Economia, Pires de Lima na Assembleia da República.

«Não compreendemos como é possível ter um ministro da Economia no parlamento que num registo insultuoso, malcriado, mais do que o registo pessoal da intervenção, custa-nos perceber como é que o ministro da Economia pode estar no parlamento e não responder a nenhuma resposta concreta e, num Governo que aumentou o IRS mais de 30%, que tem mais taxas sobre os combustíveis, que aumenta tanto os impostos a quem trabalha, vem preocupar-se com uma taxa eventual de 50 cêntimos sobre o alojamento de turistas quando a única vez que essa taxa foi cobrada em Portugal foi em Aveiro por um executivo do CDS», concluiu.