A noite eleitoral no Cinema São Jorge foi de festejos. Às 20:00, mal as primeiras projeções começaram a ser divulgadas, os bloquistas reunidos no piso superior do cinema na Avenida da Liberdade demonstraram com uma enorme salva de palmas a sua satisfação perante o bom resultado que se adivinhava: o partido, que teve 5,17% dos votos em 2011, ia reunir entre 8 a 12% dos votos.

A primeira bloquista a assinalar o cenário que se adivinhava foi Mariana Mortágua, que às 20:00 tomou a palavra para dizer que o partido estava perto de um resultado "histórico".  

Depois, com números cada vez mais firmes a indicar a direção de uma vitória expressiva, foi a porta-voz do partido, ou "heroína desta campanha" como Francisco Louçã a chamou, Catarina Martins, a discursar perante o público. A dirigente do partido vincou "o melhor resultado de sempre", com "mais votos  e mais mandatos do que nunca" .

Houve, contudo, uma sombra a pairar sobre a festa do Bloco: a vitória da coligação de direita. Por isso, a dirigente bloquista deixou um aviso: o BE vai rejeitar um governo minoritário da direita no Parlamento.

"Uma coligação direita minoritaria nao será Govenro se a democracia não lhe der a maioria e pelo BE nao será certamente. A confirmar-se que a direita nao tem maioria, se o Presidente da República, por filiação partidária ou pouca atenção aos votos, convidar a direita para um Governo, saiba que o BE vai rejeitar no Parlamento essa possibilidade."

Antes das declarações de Catarina Martins, Francisco Louçã, antigo líder do partido, sublinhou o trabalho da porta-voz e de todos os "deputados e deputadas extraordinários" do BE. Para Louçã, o Bloco fez "o melhor contributo para derrotar a direita" e não foi o partido que faltou a esse combate.

"As centenas de milhares votos perdidos pela direita demonstram que a austeridade nao é maioritária em Portugal. [...] É uma grande vitória para o BE."

O resultado confirmou-se históricO, mas vamos aos números: 19 deputados, eleitos por dez círculos eleitorais. O Bloco aumentou o número de deputados em Lisboa (5), Porto (5), Setúbal (2), manteve um em Faro e Aveiro, recuperou um em Coimbra, um em Braga, outro em Santarém e outro em Leiria e elegeu, pela primeira vez numas legislativas, um deputado na Madeira.

A noite estendeu-se até perto da 1:00. Por volta dessa hora, Catarina Martins encerrou a festa, de forma informal, sublinhando que este é "grande resultado", mas que amanhã há "muito que fazer". 

"É um grande resultado e amanhã temos muito que fazer."