A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins defendeu esta terça-feira que depois do «falhanço do programa de ajustamento», o país tem como única alternativa a renegociação da dívida.

«Temos um programa de ajustamento que falhou em toda a linha e o próprio FMI reconhece que, face à degradação económica nacional e internacional, que a dívida pública portuguesa chegará rapidamente aos 140 por cento», alegou.

À saída de uma reunião com a direção da ACERT, em Tondela, Catarina Martins considerou que a dívida nacional é impagável, insustentável e está a matar a economia.

A renegociação da dívida pública é a solução apontada e fará parte das propostas que o BE vai levar quarta-feira à Assembleia da República para votação.

«Amanhã veremos como se comportam todas as bancadas parlamentares nesta decisão tão central para o país», sublinhou.

Para a líder bloquista, só assim o país poderá ter uma nova política de crescimento, que crie emprego e retire o país da espiral recessiva.

«Ou optamos por um caminho que mata a economia nacional ou optamos por um caminho sensato, responsável e indispensável de renegociação da dívida para termos crescimento económico», alega.

Catarina Martins considera ainda que os números do desemprego são a maior marca do falhanço do programa de ajustamento.

«O desemprego é galopante, não tem fim à vista e está a chegar aos 18 por cento, com o desemprego jovem acima dos 40 por cento. Na estratégia da troika, que tem sido a do Governo, não há nenhum mecanismo para combater o desemprego», apontou.

A coordenadora do BE realçou ainda que em dois anos de troika foram destruídos 400 mil postos de trabalho, um número que provoca uma crise social gravíssima.

«Se era preciso algum sinal para a mudança do rumo de Portugal, esse sinal são os números do desemprego», concluiu.