O PS afirmou que o processo de sanções existe porque Maria Luís Albuquerque foi ministra e não porque já não o é, pedindo "pudor" à antiga governante e bom senso aos responsáveis europeus para que parem “esta loucura".

O deputado do PS João Galamba falava no Parlamento, depois de ser conhecido que o Ecofin decidiu hoje, em Bruxelas, que Portugal e Espanha irão ser alvo de sanções, com o socialista a sublinhar que "não há nenhuma referência ao atual Governo, não há nenhuma referência a 2016, não há nenhuma referência a qualquer ato, período, data ou medida do atual Governo".

"Este processo existe porque Maria Luís Albuquerque foi ministra, não porque Maria Luís Albuquerque já não é ministra", disse João Galamba, depois de o PSD, pela voz da ex-ministra das Finanças, ter acusado o Governo de não ter defendido o “legado" orçamental por "razões políticas internas".

O parlamentar socialista disse que "se esperaria de Maria Luís Albuquerque um pouco de pudor" e que deveria começar por "reconhecer que o que está em causa é o seu desempenho e apenas o seu desempenho".

"Este Governo [o que] está a tentar fazer é argumentar que esse falhanço e esse incumprimento, que efetivamente ocorreu, não é justificação para impor qualquer tipo de sanções", acrescentou.

"Se Maria Luís Albuquerque considera que um Governo português alguma vez atentaria contra o interesse nacional por meras razoes de política mesquinha, penso que Maria Luís Albuquerque está a falar sobre ela própria e não sobre o atual Governo", acusou ainda.

Segundo João Galamba, "o que o Governo atual está a fazer, como é público, é argumentar que as sanções não fazem sentido, são contraproducentes, absurdas e apesar de dizerem respeito ao passado, impendem sobre o presente e dificultam a ação do atual Governo".

"Esperaria que num momento de enorme instabilidade, onde importa não perder os cidadãos europeus e o apoio que estes dão ao projeto europeu, que os responsáveis tivessem algum bom senso e parassem esta loucura", pediu ainda.

O deputado do PS defendeu que esta questão das responsabilidades "tem que ficar arrumada de uma vez por todas" uma vez que "o documento é claro e o que diz é que o Governo português anterior não cumpriu as recomendações do Conselho de 2013 e que apresentou um ajustamento orçamental insuficiente nos anos de 2014 e de 2015".

Para João Galamba trata-se de uma "pressão inaceitável sobre Portugal e Espanha que devia parar".

"Considero inacreditável que alguém que seja a principal visada por este processo tente sistematicamente ou atacar o país ou atacar o atual Governo. Revela uma enorme falta de pudor", disse, voltando a visar Maria Luís Albuquerque.

Consensos contra sanções

O Bloco de Esquerda apelou, esta terça-feira, ao consenso e união para defender Portugal da humilhação à qual a Comissão Europeia quer sujeitar o país com sanções, considerando que o Governo tem que usar todos os meios para rejeitar a aplicação.

"O Governo não pode aceitar as sanções, tem de usar todos os meios ao seu dispor para rejeitar a aplicação de sanções e o Bloco estará ao lado de todas e todos aqueles que acham e que querem impedir sanções ao país", disse a deputada do BE, Mariana Mortágua, aos jornalistas, no Parlamento, depois de o Ecofin ter confirmado a punição a Portugal e Espanha.

Na opinião dos bloquistas, "isto não se trata de esquerda, não se trata do Bloco de Esquerda, do PS", mas sim de "defender o país contra o autoritarismo da Comissão Europeia", deixando um apelo claro: "que haja um consenso para que possamos defender o país desta humilhação porque esta é uma matéria que diz respeito a todas e a todos".

"A Comissão Europeia quando vem agora propor sanções às suas próprias políticas e às políticas de Passos Coelho que lhe obedeceu cegamente, para além de não ter qualquer credibilidade, está a fazer um ataque a todas as pessoas que sofreram com a austeridade neste país, mas está também a fazer um ataque ao Governo que está a tentar ter uma política diferente, de crescimento económico, que rejeita a austeridade", criticou.

Apelidando as sanções de "inaceitáveis e ilegítimas", Mariana Mortágua destaca que estas "provêm de uma Comissão Europeia que perdeu a credibilidade e quer usar Portugal apenas para reforçar uma autoridade que está a perder por todas as decisões erradas que tomou no passado e que está a tomar no presente".

"Eu penso que acabou o tempo de Portugal ser a cobaia da Comissão Europeia", enfatizou, acrescentando que Portugal não se pode mais sujeitar "a estes devaneios, aos radicalismos de uma Comissão Europeia que está perdida".

 

"É inaceitável a aplicação de sanções, constitui uma agressão, chantagem, sobre um país soberano", vincou Paula Santos, do PCP

A União Europeia e as suas instituições pretendem, com o avançar deste processo, aplicar sanções sobre a "política de exploração e empobrecimento" que as próprias entidades defenderam e sobre as quais são "responsáveis", prosseguiu a comunista.