O PS vai abster-se na votação do projeto de resolução do BE sobre reestruturação da dívida apesar de não concordar integralmente com os termos da iniciativa, mas irá ‘chumbar' a iniciativa do PCP para a renegociação da dívida.

«Apesar de não concordarmos integralmente com os termos em que o projeto de resolução é formulado (…), é um projeto de resolução que valoriza de forma positiva a iniciativa de largos milhares de cidadãos que vieram pedir este debate e, nesse sentido, em particular por respeito por essa iniciativa, o sentido do nosso voto será a abstenção», anunciou o vice-presidente da bancada do PS Vieira da Silva, em declarações aos jornalistas no final da reunião da bancada realizada esta manhã.

Assegurando que não houve contestação a esta decisão, Vieira da Silva adiantou que a discordância dos socialistas ao projeto do BE tem que ver com o facto de se recomendar ao Governo que inicie um processo de negociação da dívida.

«Não é isso que a nosso ver está em questão», referiu.

Quanto à resolução do PCP, que propõe a renegociação da dívida, o vice-presidente da bancada socialista disse que o PS irá votar contra.

«Os fundamentos em que ele assenta e que pressupõem uma recusa clara, nomeadamente do processo de participação de Portugal no Euro e na União Económica e Monetária, na linha de outras posições que o PCP tem defendido, não podem merecer o acordo do PS», declarou.

Vieira da Silva disse ainda ter «uma expetativa elevada» sobre o sentido de voto da maioria PSD/CDS-PP ao diploma do PS, que «propõe não apenas um mero debate sobre o tema da dívida e endividamento», mas considera que «a Assembleia da República deve desencadear uma audição pública que dê sentido, dê densidade, dê profundidade a esse debate».

«Temos uma expetativa elevada que a maioria, ao contrário do que fez em sede de comissão parlamentar, desta vez permita que esse processo de audição, que esse debate possa ser feito», frisou.

Na quinta-feira, a maioria PSD/CDS-PP manifestou abertura para «um debate alargado» sobre a dívida pública e desafiou o PS a clarificar a sua posição, propondo que a próxima conferência de líderes defina a metodologia da discussão.

«O PSD está disponível para debater novamente a divida pública nesta Assembleia, num debate alargado, num processo que não se arraste no tempo, em que cada partido transmita claramente as suas posições após o debate orçamental e com uma metodologia a definir já na próxima conferência líderes», afirmou o deputado Nuno Reis.