O PCP exigiu explicações do Governo sobre o «incumprimento» do prazo para o reinício das obras no IP8 e no IP2, no Alentejo, as quais deveriam ter sido retomadas em julho, mas que alegadamente continuam paradas.

«Não considera o Governo de lamentável mau-gosto que se vá tornando hábito o anúncio do reinício de obras no IP8 e no IP2 que depois não se verifica», questionam os comunistas, num requerimento dirigido ao Ministério da Economia e entregue na Assembleia da República.

No documento, divulgado esta segunda-feira pelo PCP, os deputados João Ramos, Bruno Dias e João Oliveira exigem que o executivo do PSD/CDS-PP explique quais os «motivos» que «levaram ao incumprimento da previsão de arranque das obras do IP8 e do IP2».

Os parlamentares comunistas pretendem apurar se a previsão de reinício de obras naqueles dois itinerários principais (IP), apontada para julho pela Estradas de Portugal (EP), «era efetiva ou apenas um mecanismo para acalmar impaciências em torno da lamentável situação».

«Que compromissos, sérios, pode o Governo, de uma vez por todas, assumir quanto à requalificação do IP8 e do IP2», questionam também no requerimento.

O PCP lembra que a requalificação do IP8 e do IP2 está «parada há três anos», mas que, no final de maio, «foi noticiado que o Estado português tinha chegado a acordo sobre a subconcessão do Baixo Alentejo».

A 20 de maio, a EP anunciou um acordo com a concessionária da subconcessão do Baixo Alentejo, a SPER - Sociedade Portuguesa de Exploração Rodoviária, para a conclusão das obras previstas para a A26/IP8 entre Sines e Relvas Verdes e para a A26-1/ER261-5 entre Sines e Vila Nova de Santo André.

Com o acordo, divulgou a EP na altura, ficou também garantida a construção da A26 entre o IC1 e Santa Margarida do Sado, concluindo a ponte sobre o rio Sado, e a requalificação do IP2 entre São Manços (Évora) e Castro Verde, tendo o retomar dos trabalhos ficado agendado para julho.

Só que o mês de agosto já começou e, de acordo com o grupo parlamentar do PCP, «não se conhece qualquer arranque de obra e não são visíveis movimentações no terreno».

Insistindo que há «três anos que populações dos distritos de Beja, Évora e Setúbal são obrigadas a transitar sem condições de segurança por vias» transformadas em «autênticos estaleiros de obra, com infraestruturas semiconstruídas abandonadas e a degradarem-se», o PCP lamenta a situação.

Trata-se de um caso em que, «à falta de respeito pelas populações, se associa o embuste do anúncio de soluções que afinal não chegam», reforçam os comunistas, acusando o Governo de demonstrar ser «completamente incapaz de resolver este problema, que não é, nem de menor gravidade, nem de menor importância».