O Banco do Fomento e o social-democrata Carlos Abreu Amorim estiveram na mira do Bloco de Esquerda, este sábado, num comício no Porto. Sobre o primeiro, Catarina Martins afirmou que o crédito colocado na economia foi "zero cêntimos", sublinhando que o único investimento realizado foi de "400 mil euros": para pagar ao Conselho de Administração.

A Praça dos Poveiros da cidade invicta encheu-se para ouvir críticas à governação PSD/CDS-PP, palavras de ordem e a mensagem bloquista: "há uma alternativa e é preciso fazer a diferença."

A porta-voz do Bloco de Equerda aproveitou o facto de estar no Porto para afirmar que "em dois anos e meio", o crédito que o Banco do Fomento, sediado nesta cidade para apoiar empresas, pôs na economia portuguesa foi "zero cêntimos".

"O investimento foi de 400 mil euros: para pagar ao Conselho de Administração", afirmou.


Neste comício, que começou pouco antes das 16:00, numa tarde de muito calor na cidade do Porto, depois do Banco do Fomento, a mira centrou-se em Carlos Abreu Amorim: o deputado social-democrata que, em conjunto com outros deputados do PSD, subscreveu uma carta para propor a direção de um agrupamento escolar. O caso remonta a 2012, mas só agora foi  tornado público, pelo diário "Minho Digital". A dirigente do Bloco de Esquerda criticou, com muita ironia: "Carlos Abreu Amorim é tão antigo que é provavelmente o único que em 2015 ainda escreve cartas". 

De resto, as críticas à coligação Portugal à Frente estiveram no centro do discurso de Catarina Martins, com destaque para o primeiro-ministro, Passos Coelho. "Há quatro anos, Passos era o campeão de uma nova forma de estar." Aqui, a dirigente exemplificou com uma frase do chefe do Executivo, da altura: "Não existirão empregos para os amigos". Catarina citou para depressa atacar: "Metade da frase é verdade: não existirão empregos".

As sondagens foram outro dos pontos abordados pela porta-voz do BE. Isto depois de, esta manhã, ter dito, em Matosinhos, que as sondagens só interessavam a "comentadores" políticos. 

"A campanha está a ser marcada por sondagens e estudos para dizer que não há escolha além de PS e PSD. Não aceitamos um país de escolhas pequenas."


Antes da intervenção de Catarina Martins, José Soeiro,o número dois do partido no Porto, criticou a subconcessão da STCP e do Metro do Porto e as privatizões da TAP, ANA, EDP e CTT para atacar o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. "O bota de ouro das PPS's no tempo do PS transformou-se no campeão das privatizações."

"O que acontece no Porto é um assalto feito por gente fina", referiu.

 
Já no final do comício, o tempo foi preenchido com apelos: à mudança, à alternativa à austeridade, à diferença, ao voto no dia 4 de outubro. Catarina Martins salientou que é possível recuperar rendimentos, repor salários e atribuir subsídios. Isto sem esquecer uma das bandeiras do seu programa eleitoral: a reestruturação da dívida.

"Não faz nenhum sentido que na Europa não possamos viver com dignidade. É possível trabalhar aqui com dignidade, é possível viver aqui, de cabeça erguida. Não estamos condenados a ficar mal ou a ficar pior."