A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) disse, este sábado, que os grupos de trabalho que o partido tem, em conjunto com o PS, são um "instrumento importante" para a negociação futura do Orçamento do Estado (OE) para 2017.

"Temos grupos de trabalho sobre questões muito diversas. Os grupos de trabalho nas suas várias áreas terão relatórios durante o mês de julho. Esperamos que seja possível [fazer] avanços em algumas áreas socialmente sensíveis, da habitação ao trabalho, ainda antes da apresentação dos relatórios", vincou Catarina Martins, que falava aos jornalistas em Lisboa, no final de uma reunião da Mesa Nacional do partido.

E concretizou: "Estamos certos de que estes grupos de trabalho são um instrumento importante para começar a negociar as condições do próximo OE".

Os grupos de trabalho em causa - que abordam áreas como a dívida, combate à precariedade, habitação ou reforma fiscal - foram firmados quando da assinatura, há seis meses, do entendimento comum entre PS e BE que viabilizou, pela parte bloquista, a chegada ao poder do executivo socialista.

O BE reuniu este sábado a sua Mesa Nacional, o órgão máximo do partido entre Convenções, numa altura em que se aproxima a X Convenção do partido, agendada para junho.

O encontro abordou matérias como ambiente, educação e debruçou-se sobre a "atualidade política".

No campo do ambiente, Catarina Martins reconheceu existir agora uma "nova centralidade" política em torno desta matéria, e reiterou a "pressão" do partido em matérias como a proibição da utilização do glifosato ou a alteração dos contratos de perfurações no Alentejo e Algarve, para prospeção de combustíveis fósseis.

A "grande manifestação" de 11 de junho, nos dois lados da fronteira - em Portugal e Espanha -, pelo fim da central nuclear de Almaraz, foi também matéria abordada na Mesa Nacional do Bloco, indicou a sua porta-voz.

Questionada pelos jornalistas sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que o BE diz ser um "acordo lesivo", acrescentou que é altura de Portugal "tomar uma posição de desvinculação de todo este processo negociado em secretismo".

"Lamentamos a posição do PS sobre o Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento e não deixaremos de trabalhar para podermos chegar a um acordo no nosso país sobre a necessidade de transparência e de defesa da nossa economia, dos direitos laborais, das questões ambientais do nosso país", vincou Catarina Martins.