A cabeça de lista às europeias do BE, Marisa Matias, defende a colocação do emprego no centro da política, alertando para o regresso do «trabalho escravo» ao espaço europeu.

«Não é a austeridade que está a resolver o problema das contas públicas, pelo contrário, está a agravá-las. Ao colocar a dívida no centro está-se a agravar o problema das contas públicas e está-se a agravar o problema da própria dívida que não para de aumentar. O que nós precisamos é do contrário da austeridade: a austeridade provoca recessão, a recessão provoca mais desemprego, provoca mais desequilíbrio das contas públicas», afirmou Marisa Matias, durante uma mesa redonda organizada pelo BE com o tema «Por um programa europeu de pleno emprego».

Enfatizando a necessidade de colocar a criação de emprego no centro da política, a cabeça de lista do BE às eleições europeias de 25 de maio lamentou que o emprego esteja a ser um dos direitos mais atacados e uma das vítimas principais das políticas que têm sido seguidas no contexto da austeridade.

«O tratado orçamental é incompatível com uma política de pleno emprego, como a austeridade é incompatível com uma política de pleno emprego, como são incompatíveis com a criação de emprego com direitos», frisou.

Além disso, acrescentou o «pouco emprego» que tem sido criado é um «emprego sem direitos», «o emprego da retórica do empreendedorismo ou do emprego precário ou do emprego voluntário à força».

A este propósito, Marisa Matias alertou para o regresso do «trabalho escravo» à Europa, relatando o caso de 21 portugueses trabalhadores da construção civil que viviam num "T0" em Bruxelas sem receberam qualquer salário.

«Isto não tem outro nome senão trabalho escravo. O trabalho escravo regressou ao espaço da União Europeia», referiu, ressalvando que esta não é uma realidade que afete só portugueses, mas pessoas de todas as nacionalidades.

Antes, a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins já tinha sublinhando a ideia de que não há outra saída para a crise que não passe pela criação de emprego, reiterando que colocar a consolidação orçamental no centro da reação à crise tem levado a uma progressiva degradação da democracia, do Estado social, das condições de trabalho e ao agravamento da recessão.

«O problema que a Europa vive não é um problema de dívidas soberanas, o problema que a Europa vive é de emprego, o centro da ação tem de estar na criação de emprego, tem de estar na recuperação daquela que é uma prioridade inscrita na Constituição da República Portuguesa, mas também não falta em nenhum dos tratados europeus embora tenha estado esquecido, que é o pleno emprego», defendeu.

Entre a assistência ao debate promovido pelo BE estavam alguns dos 100 sindicalistas que apoiam a lista do BE às eleições para o Parlamento Europeu.

A própria lista do BE integra elementos ligados ao movimento sindical, nomeadamente António Chora, da comissão de trabalhadores da Autoeuropa.