A presidente da Assembleia da República considerou esta quarta-feira que a realização da conferência de líderes extraordinária requerida pelo BE teria apenas «uma dimensão ruidosa», atribuindo a ausência de resposta do primeiro-ministro ao partido a uma questão de «estratégia».

«Uma conferência de líderes extraordinária não traria consequências regimentais nenhumas. Consultei o regimento e não é uma questão que traga uma eficácia no plano do regimento. A conferência de líderes serve precisamente para isso, para debater questões que tenham eficácia no plano do regimento», afirmou a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, aos jornalistas, à saída do debate quinzenal com o primeiro-ministro.

Minutos antes, os jornalistas tinham sido informados pelo BE da recusa de Assunção Esteves em convocar a conferência de líderes extraordinária no final do plenário, que tinha sido requerida pelo partido para debater a falta de respostas do primeiro-ministro ao partido no debate quinzenal, como recorda a Lusa.

Sublinhando que uma conferência de líderes urgente teria «apenas uma dimensão ruidosa», Assunção Esteves atribuiu a atitude do primeiro-ministro em não responder às perguntas da coordenador do BE «à escolha de uma estratégia».

«O responder, o não responder, o grau da resposta, é uma estratégia que não é controlável diretamente por uma conferência de líderes extraordinária», sustentou, insistindo que não «havia nenhuma vantagem imediata» num reunião extraordinária da conferência de líderes porque não se tratou de «uma quebra regimental direta».

A presidente da Assembleia da República admitiu que, de qualquer forma, seja natural que a questão seja colocada numa próxima conferência de líderes «como uma questão política», já que é nesse órgão que se «tratam questões que não são da pura letra jurídica do regimento».

Assunção Esteves reconheceu, contudo, que abriu a possibilidade da realização da conferência de líderes extraordinária, «mesmo achando que objetivamente não houvesse uma eficácia adequada para suscitar uma reunião extraordinária».

«Pus a hipótese de o fazer se houvesse um entendimento unânime dos grupos parlamentares, quando as decisões são difíceis nós devemos fazer-nos valer dos métodos deliberativos», explicou.

Porém, acrescentou, a deliberação tomada foi no sentido da não convocação da reunião extraordinária.

BE pede conferência de líderes extraordinária para depois do debate com PM.

Sem avançar qual a posição de cada bancada, a presidente da Assembleia da República adiantou apenas que «foi uma deliberação tomada com toda a serenidade».

Questionada sobre o facto da bancada do BE ter abandonado o plenário, Assunção Esteves lembrou os «tempos difíceis» que se têm vivido.

«Temos vivido tempos em que as coisas não estão nos livros, acontecem, são tempos difíceis», referiu.