O CDS-PP acusou, esta quinta-feira, o Governo de fazer "cortes pela calada", através das cativações orçamentais, e o BE e o PCP de "fingirem que nada sabiam", depois de terem aprovado "um cheque em branco" ao executivo.

Numa declaração política na Comissão Permanente do parlamento, a vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles definiu cativações como "cortes feitos pela calada", estimando em cerca de mil milhões as despesas previstas no Orçamento de 2016 que, depois, "no silêncio dos gabinetes", o Ministério das Finanças não autorizou.

O instrumento das cativações foi um instrumento desenvolvido com o único objetivo de enganar os portugueses e esconder a verdade", criticou a deputada, acusando o executivo e os seus parceiros de querem fazer passar a ideia de que a austeridade tinha acabado.

Cecília Meireles salientou que o artigo do Orçamento do Estado que permitiu ao Governo fazer estas cativações foi aprovado com os votos do PS, mas também do BE e do PCP.

Foram os senhores que permitiram passar um cheque em branco ao governo", acusou.

A deputada e vice-presidente do partido classificou as cativações feitas como "inaceitáveis" porque foram feitas com "falta de verdade, falta de responsabilidade e falta de transparência" e reiterou que o CDS-PP tem uma iniciativa para impedir que a situação se repita em próximos orçamentos.

Para o PS foi muito conveniente dizer uma coisa e fazer outra, para o BE e PCP foi muito conveniente fingir que acreditavam nisto tudo", atacou, acusando BE e PCP de terem ficado "muito caladinhos" durante mais de um ano e agora "fingirem-se muito surpreendidos".

As declarações políticas na Comissão Permanente não tiveram direito a contraditório por parte das outras bancadas, conforme ficou estabelecido na conferência de líderes.