A porta-voz nacional do BE, Catarina Martins, disse eta quinta-feira na Madeira que é necessário renegociar a dívida da região e do país, considerando que, «feita a prova dos nove», a austeridade foi «um falhanço completo».

Numa ação de rua do Bloco de Esquerda (BE) para as legislativas madeirenses, no Funchal, Catarina Martins juntou-se ao cabeça de lista da candidatura, Roberto Almada, para pedir à população que retire a maioria absoluta ao PSD.

Questionada pelos jornalistas sobre os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para um défice orçamental de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) português em 2014, a dirigente afirmou que foram impostos muitos sacrifícios ao país em nome de uma meta abaixo dos 3% que, afinal, não foi atingida.

Segundo o INE, a contração da economia portuguesa há três anos foi mais profunda do que o calculado anteriormente, tendo o PIB real recuado 4% nesse ano, a recessão mais profunda alguma vez registada.

«Em nome de quê? Não valeu a pena. Destruíram-se salários, pensões, emprego, obrigou-se tanta gente a emigrar e no fim o défice continua nos 4,5%», declarou.


A responsável lembrou que a Madeira sofre a austeridade «em dobro», por ter de suportar as medidas de austeridade nacionais e o plano de ajustamento financeiro do arquipélago, o que resultou, entre outros, num aumento «avassalador» do número de emigrantes.

«Nas eleições da Madeira como no país em geral, agora é o momento da prova dos nove: o que é que a austeridade trouxe? Provocou a maior recessão de sempre desde que há registo em Portugal. Quando vamos ver os números, nada do que foi prometido foi cumprido», reporta a Lusa.


Para a bloquista, é preciso assumir que Portugal tem um problema de dívida que requer uma renegociação e que a Madeira não pode estar a retirar 30% ao orçamento regional daqui a um ano para pagar o serviço da dívida.

Catarina Martins sublinhou que a posição do BE em relação a esta matéria tem sido a mesma tanto ao nível da direção como da estrutura regional, ao contrário de outros partidos.

Sobre as eleições de domingo, considerou haver «grande vontade de que alguma coisa mude» e mostrou-se confiante no regresso do partido ao parlamento regional.

«O que as sondagens demonstram é que, se o BE eleger o segundo deputado, pode retirar a maioria absoluta ao PSD», referiu, acrescentando que a Madeira «não pode continuar a ser um sítio de cidadania de segunda».

O INE anunciou um défice orçamental de 4,5% do PIB em 2014, «traduzindo uma melhoria comparativamente com o resultado verificado em 2013», depois de o executivo da maioria PSD/CDS-PP ter indicado uma estimativa de 4,8%, segundo o novo sistema europeu de contas.

O organismo encarregado das estatísticas nacionais revelou que a dívida das administrações públicas atingiu os 130,2% do PIB em 2014, superando os 225 mil milhões de euros nesse ano, mais 5,6 mil milhões de euros face a 2013.