Catarina Martins disse que a Comissão Europeia não tem que sancionar Portugal, mas sim “ressarcir o país pelo dano que foi causado” pelas políticas que impôs.

Catarina Martins, do BE, que visitou a Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, afirmou ter “registado” do discurso com que o Presidente da República assinalou hoje o Dia de Portugal a ideia de que é o povo que “puxa o país”, frisando que o facto de os portugueses serem capazes de tomar as suas próprias decisões “não é ser menos solidário com os outros países, com os outros povos”.

No momento em que há tanta chantagem sobre possíveis sanções sobre o nosso país pela Comissão Europeia é o momento também de dizer que em Portugal a política de austeridade já foi sancionada nas urnas pelo povo português que é quem pode ou não sancionar”, afirmou.

Para Catarina Martins, o que o país tem que discutir não é se a Comissão Europeia vai ou não aplicar sanções mas sim “como é que se vai reparar a vida de tanta gente que sofreu uma política de austeridade que foi feita em nome de consolidar as contas públicas e ao fim e ao cabo só trouxe mais problemas como a própria Comissão acaba por reconhecer”.

A Comissão Europeia não pode agora dizer que quer sanções para o nosso país pelos resultados desastrosos da própria política que a Comissão Europeia apoiou e que quis. A Comissão Europeia devia estar a pensar como compensar o nosso país, como responder às pessoas que perderam o emprego, perderam salário, perderam a pensão por uma política desastrosa. A Comissão Europeia não tem que sancionar o nosso país, tem sim é de ressarcir o nosso país pelo dano que foi causado”, declarou.

Catarina Martins também comentou as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que atribuiu ao povo o papel determinante quando o país foi posto à prova, lutando por ele, mesmo quando as elites falharam, a líder bloquista lembrou que foi o povo que reagiu com manifestações, cantando a “Grândola” e “o povo é quem mais ordena”, contra as imposições da troika.

A líder do BE concordou ainda com a crítica às elites, afirmando que foi “a elite económica e o poder político que alternou durante tanto tempo que faz passar a ideia que o país é inviável e que tudo o que resta é discutir se a banca há de ser mandada por capital angolano ou por capital espanhol”.

“Vemos que realmente as elites falharam em muito. É altura de dizer que no nosso país tem de o povo ter uma palavra, temos de ser capazes de decidir sobre os nossos setores estratégicos essenciais e decidir em nome do emprego, em nome da dignidade”, afirmou.

Sobre a declaração da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) contra a aplicação de sanções a Portugal e a Espanha, a porta-voz do BE afirmou que “quando uma coisa é muito óbvia, mesmo quem tem posições diferentes sobre a economia acaba por dizer o mesmo”.

Prioridade “é garantir que há uma recapitalização pública” da Caixa

A líder do Bloco de Esquerda disse ainda que o seu partido tem discordâncias quanto à CGD com o Governo e que este terá que, “mais cedo do que tarde, explicar exatamente as contas” do banco.

Frisando que para o BE a prioridade “é garantir que há uma recapitalização pública” da Caixa, Catarina Martins explicitou que isso “não significa concordar com tudo no que diz respeito à Caixa Geral de Depósitos (CGA) ou à forma como está a ser gerida”.

Catarina Martins visitou esta sexta-feira a 53.ª Feira Nacional da Agricultura/63.ª Feira do Ribatejo, que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém.