Os Estados Unidos vão manter «conservas aprofundadas» com Portugal para que a anunciada diminuição da presença norte-americana na base das Lajes seja efetuada «de forma tão cuidada quanto possível», referiu esta sexta-feira em comunicado a embaixada dos EUA.

Ao efetuar o balanço da 33.ª Comissão Bilateral Permanente Portugal-Estados Unidos, que decorreu na quarta-feira, e anunciar a futura agenda bilateral, o comunicado sublinha que os EUA «reconhecem o impacto socioeconómico que a reestruturação das Lajes irá ter nos Açores» e indica que responsáveis norte-americanos vão reuniu-se em breve com homólogos portugueses para «consultas aprofundadas» em torno do impacto da decisão de Washington.

«Os Estados Unidos reafirmam o seu compromisso em manter e alargar a sua relação com o povo dos Açores na área dos negócios, ciência, defesa, educação e cultura e os participantes identificaram prioridades e oportunidades de colaboração e parceria para apoiar os esforços do governo regional e central para estimular o desenvolvimento económico dos Açores», refere o texto.

Os Estados Unidos anunciaram a 8 de janeiro a intenção de reduzir gradualmente os trabalhadores portugueses de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano e os civis e militares norte-americanos de 650 para 165 na base das Lajes, na ilha Terceira.

No âmbito da reunião bilateral, em que participaram mais de 20 responsáveis norte-americanos que se juntaram ao embaixador Robert Sherman, foram ainda abordados diversos assuntos de interesse mútuo, com as duas delegações a decidirem «reforçar os laços entre os dois países nos campos económico, político, de defesa, das forças de segurança, da cibernética e cultura, incluindo discussões político-militares de alto nível».

Após salientar a colaboração permanente entre os dois governos e a confirmação de uma «relação bilateral forte e duradoura para enfrentar os desafios do século XXI», a Comissão sublinhou a importância de «enfrentar os desafios à segurança global e regional, incluindo na Ucrânia, Síria e Iraque (DAESH e combatentes estrangeiros [uma referência ao grupo jihadista Estado Islâmico]), Afeganistão e Irão».

A cooperação na NATO, o envolvimento em África «que inclui a segurança marítima no Golfo da Guiné», e as oportunidades de criação de mais negócio e investimento foram ainda outros temas abordos no encontro bilateral.