O tribunal de Oeiras rejeitou, esta terça-feira, a candidatura de Isaltino Morais, apurou a TVI, invocando um problema com assinaturas. Isaltino Morais reagiu, em conferência de imprensa, afirmando que vai recorrer da decisão.

As 31.000 assinaturas recolhidas pelo candidato do movimento "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta" foram entregues na semana passada, mas um despacho do juiz Nuno Cardoso refere que não estão devidamente identificados os candidatos apresentados na lista.

Isaltino garantiu que a sua candidatura respeitou "escrupulosamente a lei", "ao seu mais ínfimo pormenor". O candidato deu uma conferência de imprensa às 21:30, em Linda-a-Velha, deixando claro que não aceita a rejeição do tribunal.

O ex-autarca explicou que os subscritores da candidatura "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta" foram "informados inequivocamente" sobre a lista que propuseram, caindo assim, por terra, os argumentos invocados pelo tribunal para rejeitar a proposta eleitoral.

"A nossa candidatura respeitou escrupulosamente a lei, respeitou a lei ao seu mais ínfimo pormenor. Ao longo do processo de recolha de assinaturas e em todos os pontos de recolha, a candidatura do grupo de cidadãos eleitores teve presente a lista de todos os candidatos com vista a que todos conhecessem a lista inequivocamente", sublinhou.

Isaltino levantou ainda suspeitas de que a decisão do juiz poderá estar relacionada com relação de amizade com o atual presidente da Câmara de Oeiras e também candidato, Paulo Vistas.

E acrescentou que a candidatura de Paulo Vistas não apresentou nenhuma lista de candidatos, havendo um auto da PSP que o prova.

É inacreditável esta disparidade de critérios do mesmo juíz. Não queremos crer que esta rejeição possa ter sido influenciada por relações de amizade ou familiares com Paulo Vistas", afirmou.

Aparentemente tranquilo, como o próprio se descreveu, Isaltino Morais admitiu não ser fácil encarar a decisão judicial.

"Eu sabia que esta lista seria escrutinada até à exaustão, mas o argumento que é dado de que os subscritores não conheciam inequivocamente o candidato, isso não. O nome e os dados estão lá", sustentou.

O ex-autarca prometeu uma "noite longa" para apresentar o recurso da decisão do Tribunal e não excluiu a hipótese de apresentar queixa contra o juíz.

"O país não pode ficar alheio a situações destas", concluiu.

O antigo presidente da Câmara de Oeiras pretende recandidatar-se à presidência do município nas eleições autárquicas de 1 outubro como independente.

Isaltino, que esteve à frente da Câmara de Oeiras durante mais de duas décadas (primeiro pelo PSD e depois como independente), abandonou o executivo quando foi detido, a 24 de abril de 2013, para cumprir dois anos de pena de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Um ano depois, a 24 de junho de 2014, Isaltino Morais saiu em liberdade condicional para cumprir o resto da pena em casa e, em 2015, publicou um livro a contar a sua experiência na prisão, excluindo a possibilidade de regressar à vida política.