PS, PCP e CDS-PP celebraram hoje na Assembleia da República os resultados que obtiveram nas eleições autárquicas e o PSD recusou leituras nacionais, argumentando que isso é menosprezar o poder local e a democracia.

Todos os partidos dedicaram as suas declarações políticas aos resultados das eleições autárquicas, com exceção do Bloco de Esquerda.

O PSD escolheu o vencedor das eleições na Trofa, Sérgio Humberto, para defender que «tirar ilações de eleições nacionais de eleições locais é abusivo», argumentando que «é tirar o mérito aos diferentes candidatos do PS e do PCP que venceram as respetivas eleições, certamente pela validade das suas candidaturas e pelo valor dos seus programas».

«Se os políticos querem ser respeitados, devem ser capazes de respeitar os eleitores. Querer tirar ilações nacionais é não saber respeitar eleitores, é não saber respeitar o poder local, é não saber respeitar a democracia», afirmou.

A leitura nacional dos resultados das eleições autárquicas de domingo foi assumida pelo PS, pelo PCP, «Os Verdes» e pelo BE.

«Esta vitória espelha uma nova relação de confiança dos portugueses com o PS ao mesmo tempo que evidencia a crescente desconfiança dos portugueses na maioria que nos governa», argumentou o líder da bancada do PS, Carlos Zorrinho.

Segundo o presidente do grupo parlamentar socialista, «do ponto de vista nacional, este é o sinal mais forte: os portugueses confiam cada vez mais no PS e nas suas propostas e confiam cada vez menos nas políticas do Governo».

O comunista António Filipe defendeu que os resultados eleitorais «traduzem o crescente isolamento político e social dos partidos do Governo e reforçam a necessidade, a possibilidade e a urgência da sua demissão» e dirigiu-se diretamente ao discurso de vitória do CDS-PP.

«Não é o facto de o CDS agitar triunfalmente um "penta", conseguido à custa de derrotas do PSD, de fingir que nem sequer conhece os seus parceiros de coligação em Sintra ou em Lisboa, ou de se enfeitar com a vitória do dr Rui Moreira no Porto (algo que bem conhecidas personalidades do PSD também poderiam fazer), que permite disfarçar que os parceiros de coligação se afundaram no mesmo barco», acusou.

Antes, já Hélder Amaral tinha dedicado a declaração política dos centristas ao resultado eleitoral de domingo que, afirmou, interrompeu «declínio autárquico» do CDS-PP iniciado em 1987.

Além de mencionar a presidência das cinco autárquicas conquistadas, o CDS-PP sublinhou que depois de ter estado no executivo de Rui Rio, continuará a estar no executivo de Rui Moreira, o independente que venceu a Câmara do Porto e que os centristas apoiaram.

Heloísa Apolónia de "Os Verdes" acusou o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de ter feito uma interpretação «vingativa e furiosa» dos resultados eleitorais, ao reconhecer a derrota mas recusando mudar de direção política no Governo do país.

«Vai procurar aplicar mais rapidamente possível a sua fúria neoliberal», afirmou, defendendo que está perante «um Governo completamente perigoso» e apelando à luta contra as suas políticas, citando as manifestações convocadas pela CGTP-IN, que também haviam sido referidas pelo comunista António Filipe.

O líder da bancada do BE, Pedro Filipe Soares, em reposta a Sérgio Humberto, do PSD, referiu-se às eleições sobretudo para pedir uma reflexão sobre a abstenção, os votos nulos e em branco.

«Se há uma lição a tirar é que austeridade mina a vida das pessoas, mina a relação dos cidadãos com as eleições e a qualidade da nossa democracia», afirmou.