O candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, defendeu uma parceria público-pública na gestão do Metropolitano, num dia da campanha eleitoral que dedicou ao tema da mobilidade.

O Metro não tem uma palavra do município na sua gestão e nós entendemos que deve ter. A nossa proposta é que haja uma parceria público-pública entre a Câmara e o Estado, e a gestão seja feita de forma partilhada”, afirmou à tarde Ricardo Robles na estação da CP de Benfica, onde chegou de comboio numa viagem que partiu dos Restauradores.

Até aos Restauradores, o candidato, acompanhado da cabeça de lista do BE à Assembleia Municipal de Lisboa, Isabel Pires, chegou de metro, tendo partido da estação do Campo Grande.

Da estação de Benfica seguiu de bicicleta até Entrecampos, na companhia de meia dúzia de militantes do BE, incluindo a cabeça de lista à Junta de Freguesia de Benfica, Joana Grilo.

Na ação de campanha de hoje “faltou apenas a Carris, um pilar fundamental da cidade”.

Ricardo Robles recordou que a gestão da Carris está na Câmara de Lisboa desde 01 de fevereiro, considerando “curioso que no primeiro semestre [deste ano] tenha sido o único grande operador de transportes do país que continua a perder passageiros”.

Meio milhão de passageiros no primeiro semestre de 2017. Isto significa que há muito para fazer na Carris, por isso temos de investir na Carris para recuperar recursos humanos, mais motoristas, equipamentos, mais autocarros e mais eficientes, e sobretudo melhorar o serviço”, afirmou.

Para o candidato do BE à Câmara de Lisboa, “a discussão mais importante sobre o futuro da mobilidade na cidade, porque a compromete durante muitos anos, é a expansão da rede do Metro”.

Ricardo Robles, que é atualmente deputado na Assembleia Municipal, reiterou que “a opção da linha circular é um erro tremendo, porque é um investimento muito grande e, sobretudo, porque não acrescenta passageiros na rede de metro”.

Temos que ir para as zonas da cidade que foram sempre esquecidas: Alcântara, Ajuda, Belém, Campo de Ourique, Campolide. É para aí que temos que direcionar os recursos que temos, que são escassos. Temos que os investir bem investidos”, defendeu.

Catarina Martins pede resgate público da concessão da Fertagus

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu que se deve começar a preparar o resgaste público da concessão privada da Fertagus, que termina em 2019, colocando a empresa na CP, de onde nunca deveria ter saído.

Na primeira ação de campanha autárquica, depois de uma viagem de seis quilómetros de bicicleta entre a estação ferroviária do Fogueteiro e o Seixal, foi já durante uma viagem de barco entre o Seixal e o Barreiro que Catarina Martins explicou aos jornalistas a importância da "propriedade pública dos transportes coletivos".

Eu lembro que o contrato, a concessão privada da Fertagus acaba em 2019, o que quer dizer que este é o momento para preparar o resgate público dessa concessão e colocar na CP o que nunca deveria ter deixado de ser da CP, até porque eu lembro, os comboios da Fertagus são alugados à CP", sugeriu.

Para Catarina Martins, são precisas “respostas de transportes públicos, de propriedade pública em todo o país, é assim em Lisboa, é assim no Porto, seguramente tem que ser assim também na margem sul”.