O PS venceu no domingo as eleições autárquicas em número de votos, em número de câmaras, reconquistando a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), e dominou nos principais centros urbanos do país.

Nestas eleições, o PS ultrapassou os 1,8 milhões de votos, cerca de 36 por cento, conseguiu mais de 900 mandatos e venceu, até agora, 148 câmaras sozinho e uma (no Funchal) liderando uma coligação.

De acordo com os dados disponíveis na página da Internet da Direção-Geral da Administração Interna cerca das 18:00, falta ainda apurar uma freguesia (além de outras duas onde não se realizou a votação no domingo) e atribuir a presidência da Câmara Municipal de Caminha, onde o PS reclama vitória.

Nas eleições autárquicas de 2009, o PS, sob a liderança de José Sócrates, já tinha sido o partido mais votado (com cerca de 38 por cento, correspondentes a mais de dois milhões de votos), assim como a força política que mais mandatos obtivera (606), mas perdera por sete face ao PSD em número de câmaras (139-132), ficando sem a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

O crescimento autárquico do PS neste ato eleitoral fez-se sobretudo à custa de derrotas averbadas pelo PSD em praticamente todos os distritos do país.

No total, o PS conquistou ao PSD 37 municípios e perdeu 15 para os sociais-democratas, ganhou quatro à CDU e perdeu oito, retirou presidências em três municípios liderados por independentes e foi derrotado por listas independentes também em três e, finalmente, perdeu uma Câmara para o CDS.

Dos quatro maiores municípios portugueses, o PS venceu três deles: Lisboa (com uma percentagem superior a 50 por cento), em Gaia e em Sintra - autarquias que perdera para o PSD em 2001. No Porto, Manuel Pizarro ficou em segundo, atrás do independente Rui Moreira.

No resultado das eleições de domingo, a direção socialista acentua o peso registado pelo PS nos 23 municípios do país com mais de 100 mil habitantes, vencendo em 11 deles, contra quatro da coligação PSD/CDS, um do PSD sozinho, quatro da CDU e três independentes.

Nestas eleições, os socialistas recuperaram Coimbra após 12 anos de oposição e triunfaram em alguns bastiões «laranja», casos de Loulé, Vila Nova de Poiares e, aparentemente, em Vila Real.

No que respeita a insucessos eleitorais, os socialistas perderam para coligações lideradas pelo PSD capitais de distrito como Guarda e Braga, municípios que governavam desde 1976, mas as derrotas mais significativas aconteceram diante da CDU, saindo do poder em concelhos como Beja, Évora, Loures e Alcácer do Sal.

Em Matosinhos, a estrutura local do PS decidiu não recandidatar o atual presidente da Câmara, Guilherme Pinto, escolhendo em contrapartida o dirigente local António Parada - uma aposta falhada, já que Guilherme Pinto, agora como independente, venceu a lista oficial dos socialistas.

Esta derrota em Matosinhos (município considerado um bastião do PS) foi no entanto compensada por triunfos dos socialistas em autarquias do Grande Porto tradicionalmente do PSD, como Valongo, Paços de Ferreira e Gondomar.

Nas eleições de domingo, o PS também retirou a única Câmara que era liderada pelo Bloco de Esquerda, Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém.

Perante o conjunto de resultados, o secretário-geral do PS, António José Seguro, salientou que o seu partido obteve a maior vitória de sempre em eleições autárquicas e fez uma leitura nacional deste ato eleitoral, defendendo que há «uma nova relação de confiança» entre os cidadãos e o PS e que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, deveria perceber a penalização que o seu Governo foi alvo por parte dos eleitores.