O PCP contestou a posição assumida pelas televisões de sinal aberto de limitarem a cobertura da campanha autárquica, defendendo que a lei eleitoral obriga a um tratamento não discriminatório de todas as candidaturas.

Em declarações à Agência Lusa, a deputada do PCP Carla Cruz disse acompanhar as posições da Comissão Nacional de Eleições relativamente à exigência do cumprimento da lei eleitoral e acusou as televisões de assumirem uma «posição concertada de retaliação» face à CNE e de oposição à lei vigente.

«Entendemos que a lei deve ser cumprida e que as televisões não podem tomar outra posição que não esta, ou seja, de um tratamento igualitário e não discriminatório das candidaturas aos órgãos municipais», afirmou.

Questionada sobre se a lei deve ser alterada para clarificar os critérios do tratamento jornalístico, Carla Cruz rejeitou que exista necessidade de mudar a lei, afirmando que «cumpre os objetivos fundamentais».

«É preciso é de facto cumpri-la, é preciso dotar os meios de comunicação social de meios humanos e técnicos que permitam cumprir a função para que foram criados», defendeu.

«Quem é que decide que a candidatura A ou B é mais relevante para ser ouvida e prestar declarações? Esta é a questão aqui colocada», questionou a deputada comunista.

Carla Cruz defendeu que não compete às direções de informação o papel de selecionar quais as candidaturas que merecem cobertura jornalística na campanha eleitoral que «compete aos órgãos de informação o pluralismo».

«Os cidadãos têm o direito de saber quais são as propostas que todos os candidatos têm para poder decidir livremente. Ora, se as televisões optam por usar como critério os partidos que supostamente são do arco da governação, estão a privar os eleitores do conhecimento de todas as propostas», argumentou.