O sociólogo Ricardo Fabrício, professor na Universidade da Madeira, considerou hoje que o líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, está numa situação delicada que «corresponde à figura de um homem só».

«O dr. Jardim está, neste momento, numa situação de extrema delicadeza, que corresponde à figura de um homem só», disse à agência Lusa Ricardo Fabrício, ao comentar os resultados das eleições autárquicas na Madeira, nas quais o PSD perdeu sete das 11 câmaras, incluindo o Funchal, onde ganhou a coligação «Mudança», composta por PS/PND/BE/MPT/PTP/PAN.

O PS conquistou Machico, Porto Moniz e Porto Santo, o CDS-PP a Câmara de Santana e os movimentos independentes tiraram ao PSD os municípios de São Vicente e Santa Cruz.

O investigador considerou hoje que os resultados de domingo corroboram «o processo de mudança na Madeira nos últimos dois anos, decorrente das eleições regionais de 2011 e da descoberta do alegado buraco financeiro nas contas da região».

«É uma espécie de corolário destes dois anos. Nestes, a geografia política da Madeira mudou mais que nos últimos 30 anos», afirmou Ricardo Fabrício, adiantando: «Os resultados de domingo parecem-me que são um cheque visado válido por dois anos aos vencedores, porque vai depender muito da resposta dos eleitos daqui até às próximas eleições regionais que serão, presumivelmente, em 2015».

A este propósito, acrescentou: «Podem servir de argumento brutal para reforçar uma perspetiva de que, efetivamente, o PSD está a enfraquecer e possibilitar uma redistribuição das forças políticas na região. Se nos próximos dois anos, o trabalho dos vencedores nestas eleições se confirmar como positivo, aí poderemos estar a falar de uma efetiva transformação do mapa político da Madeira».

Notando que é, ainda, «precipitado tirar demasiadas ilações» dos resultados, pois desconhece-se no que vai «resultar a luta interna no PSD/M», o docente da Universidade da Madeira reconhece, contudo, ser «demasiado excessivo um certo deslumbramento» quanto à mudança registada, dado que «a estrutura do PSD nas freguesias ainda continua a ser dominante».

«Quando olhamos para as juntas de freguesia não temos um desequilíbrio tão grande como nas câmaras. Apesar de muito afetado, o PSD continua a ter um suporte e estrutura popular consideráveis», sublinhou.

Ricardo Fabrício observou o voto de domingo «numa perspetiva muito utilitária».

«Não podemos esquecer que as pessoas que deram a transformação são mais ou menos as mesmas que, no passado, já contribuíram para as vitórias do PSD», sustentou, defendendo que os resultados são uma «resposta de desagrado do eleitorado, fundamentalmente ao Governo Regional, ao PSD/M e à situação do país».

Para o sociólogo, «estas variáveis revelaram-se todas nestas eleições», mas admitiu ter ficado surpreendido: «Contava com uma oscilação, mas não com esta dimensão».