O dirigente da Associação de Movimentos Autárquicos Independentes (AMAI) considerou hoje que o bom resultado que estes movimentos tiveram nas autárquicas de domingo se deve à confiança e à credibilidade que os candidatos representam na sua autarquia.

De acordo com Pedro Marques, presidente da AMAI, o resultado dos movimentos independentes, que conquistaram 13 municípios, «não é inesperado», porque «quando há uma lista independente as pessoas estão com os independentes e isto tem a ver com a credibilidade de quem concorre», até porque normalmente são pessoas respeitadas na terra, que os eleitores conhecem e em quem confiam.

«Normalmente os movimentos independentes aparecem onde as coisas não estão bem, onde não há uma resposta adequada à população e normalmente são uma forma de os cidadãos reagirem à situação em que o seu município, a sua cidade e a sua freguesia se encontra», porque «os interesses que estão por detrás são muitas vezes que não resolvem os problemas do bem comum do cidadãos e portanto os cidadãos reagem juntando-se e depois têm sucesso por isso mesmo, porque os partidos não fizeram as coisas bem feitas e foram perdendo a credibilidade», disse.

Para Pedro Marques, a credibilidade é o grande problema.

«A abstenção tem muito a ver com isso, com a falta de credibilidade. Porque nós não somos verdadeiros partidos, nós somos uma alternativa e em democracia é bom que haja alternativas aos partidos em cada localidade. As pessoas podem entender-se e concorrer e é isso que vamos continuar a fazer, porque temos tido resultados positivos», considerou.

A participação de movimentos independentes nas eleições tem crescido desde 2005, mas já era frequente «a participação de movimentos independentes desde há 30 anos nas freguesias».

«Houve cerca de 10% de independentes a vencer na votação das freguesias. Há concelhos onde não há candidatos independentes para as câmaras municipais, mas há listas nas freguesias», afirmou.

Em 2009, estes movimentos concorreram a menos de um quinto das freguesias e dos municípios, tendo alcançado cerca de 7% de votos nas freguesias e pouco mais de 5%, conquistando sete municípios.

«É uma questão de confiança e neste momento o que o nosso sistema político precisa é de confiança e de credibilidade dos políticos, o que infelizmente não tem acontecido porque nas eleições diz-se uma coisa e depois faz-se outra e as pessoas reagem e uma forma de reagir é não ir votar», realçou.

A AMAI foi fundada há quatro anos e tem criticado a «grande desigualdade dos movimentos com os partidos», um exemplo dos quais é os independentes terem de pagar 23% de IVA (imposto sobre o valor acrescentado) nas contas de campanha, estando os partidos isentos.