O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo Sousa, lembrou hoje que a CDU foi a única força política «a crescer em votos, percentagem, maiorias e mandatos» nas eleições autárquicas de domingo.

«O Comité Central do PCP sublinha o inegável valor, importância e significado do conjunto dos resultados obtidos. Resultados que são manifestação do reconhecimento da intervenção da CDU nas autarquias e da sua dedicação aos interesses populares e à causa pública», declarou Jerónimo de Sousa em conferência de imprensa na sede do PCP, em Lisboa, no final da reunião do Comité Central para analisar os resultados do sufrágio de domingo.

O comunista enalteceu também a «expressiva derrota» do PSD e CDS nestas eleições, derrota essa «traduzida na perda de quase 600 mil votos e de mais de 10 pontos percentuais».

Analisando os resultados dos três partidos que assinaram o memorando da troika (PS, PSD e CDS-PP), Jerónimo de Sousa sublinhou que no global os partidos perderam 800 mil votos, «uma clara condenação da política de direita que há anos prosseguem».

Sobre eventuais votos na CDU de cidadãos que não costumam votar no PCP e «Os Verdes», sublinhou, tais serão «mais do que votos de protesto, votos de mudança» e «reconhecimento» pela atuação da coligação a nível local.

Jerónimo de Sousa criticou também o Presidente da República, que hoje disse, na Suécia, estar «convencido» de que Portugal não precisará de um segundo resgate.

Cavaco Silva, disse, faz apelos «quase patéticos aos sentimentos de quem não os tem», referindo-se aos pedidos de estabilidade política para os mercados reagirem bem e mostrarem crença no cumprimento do programa de ajustamento português.

«Este esforço que o Presidente da República faz vai na linha do apoio permanente a este Governo e a esta política. (...) O Presidente comporta-se mais como um membro do PSD do que como Presidente da República. [Cavaco Silva] Devia ter interrompido este caminho, demitido este governo, convocado eleições», sublinhou o secretário-geral do PCP.

A Coligação Democrática Unitária (CDU) ganhou domingo as «grandes» autarquias de Loures, Évora e Beja, as «simbólicas» Grândola e Cuba e manteve o poder na maioria dos municípios onde reinava, reforçando-se noutros.

Loures, com a consequente perda do líder parlamentar comunista - Bernardino Soares, que deixará o posto para ser presidente da câmara -, Évora, Beja, Alcácer do Sal, Vila Viçosa, Monforte, Alandroal, bem como a «Vila Morena», Grândola, e a pequena Cuba são os novos «feudos» da CDU, quase todos reconquistados aos socialistas, muitos onde se sentia um «jejum» de mais de uma década.

Até no Algarve houve ganhos surpreendentes, com Silves a passar de mãos sociais-democratas diretamente para as de comunistas, «Verdes» e Intervenção Democrática.

Ao todo, a CDU ganhou 10 novas autarquias, mas perdeu quatro (Vendas Novas, Crato, Nisa e Chamusca) e totaliza agora 34 presidências de câmara face às 28 que detinha em 2009, com mais cinco maiorias absolutas do que as 24 de então e um total de 213 mandatos em relação aos 174 anteriores.

Novo líder parlamentar do PCP será conhecido em breve

Jerónimo de Sousa disse ainda que o novo líder parlamentar do partido será conhecido em breve e será alguém «jovem» de entre as «boas soluções» do partido.

Bernardino Soares, até aqui líder parlamentar, vai abandonar as suas funções para assumir a presidência da Câmara de Loures.

A questão em torno do novo líder parlamentar é um «processo em discussão» no seio do PCP, mas garantiu «boas notícias para breve». «No grupo parlamentar existem boas soluções [para substituir Bernardino Soares]», concretizou o líder comunista.