O social-democrata Fernando Costa, eleito vereador pela coligação Loures Sabe Mudar, disse hoje que vai assumir o pelouro dos serviços jurídicos no executivo municipal liderado pelo comunista Bernardino Soares.

Em declarações à agência Lusa Fernando Costa confirmou a existência de «um acordo de princípio» de governação com a CDU, que venceu as eleições autárquicas e a coligação Loures Sabe Mudar, que integra, além do PSD, o Movimento Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico.

«Há muitos pontos em comum nos dois programas autárquicos e isso facilitou o acordo. Tanto a coligação Loures Sabe Mudar como a CDU defendem uma gestão mais rigorosa e uma redução dos impostos municipais», justificou o vereador.

Da coligação Loures Sabe Mudar, além de Fernando Costa irá também assumir pelouros o vereador social-democrata Nuno Botelho, que ficará com as áreas do Turismo, Polícia Municipal, coordenação do Contrato Local de Segurança e serviços do veterinário municipal.

A CDU justificou o acordo com o PSD para a gestão da autarquia de Loures com a necessidade de estabilidade governativa, referindo que os sociais-democratas foram os únicos que aceitaram a proposta dos comunistas. A CDU estabeleceu «um acordo de princípio» de governação com a coligação Loures Sabe Mudar, da qual foram eleitos dois vereadores do PSD.

Em comunicado o partido justificou este acordo com a necessidade de estabilidade governativa, referindo que foram ouvidos todos os partidos da oposição, mas que apenas o PSD se mostrou recetivo às intenções dos comunistas.

«O PS entendeu não aceitar a proposta concreta de responsabilidade que lhe foi apresentada pela CDU, apresentando uma contraproposta que entendemos pela nossa parte não poder aceitar», explica o comunicado.

O documento refere que a contraproposta apresentada pelo PS propunha à CDU a entrega aos socialistas de pelouros considerados estratégicos, o qual foi recusado pelos comunistas.

«Ao propor a atribuição ao PS de importantes áreas na gestão da câmara não corresponderia, a ser aceite, à vontade de mudança expressa pela população de Loures», indica o comunicado.

O documento da CDU diz ainda que o acordo com o PSD «mantém sob responsabilidade direta da CDU as principais responsabilidades na Câmara e nos Serviços Municipalizados» e que «não prejudica» a aplicação do programa comunista.

«Nunca abdicaríamos dos nossos princípios e compromissos para obter um entendimento, mas seria irresponsável, tendo em conta a situação do município, não procurar condições para garantir a aplicação das medidas indispensáveis», apontam.

Por seu turno, o PS, que elegeu quatro vereadores, e que geriu a Câmara de Loures nos últimos 12 anos, ficou de fora deste acordo.

«É um acordo estranho porque o PS nunca se pôs de parte. Houve algumas reuniões e propusemos à CDU um conjunto de áreas nas quais poderíamos dar o nosso contributo. Foi, pois, com espanto que fomos confrontados com esta decisão [da coligação com o PSD]», afirmou à Lusa o presidente da concelhia do PS, Ricardo Leão.

O antigo líder de bancada da CDU Bernardino Soares venceu as eleições autárquicas de setembro em Loures sem ter obtido a maioria absoluta.