O Bloco de Esquerda (BE) falhou dois dos objetivos a que se propôs nas autárquicas de domingo, tendo perdido a Câmara de Salvaterra de Magos, única a que presidia, e falhado a eleição de um vereador em Lisboa.

João Semedo, coordenador do partido e também cabeça-de-lista à capital, recolheu 4,61% (10.533 votos), quando em 2009, então com Luís Fazenda como candidato, havia tido 4,56% (12.795 votos).

A única autarquia que o partido detinha, Salvaterra de Magos, passou para as mãos do PS, o que João Semedo, coordenador do BE, referiu ser uma derrota, dizendo que terão de ser «discutidas as razões» dentro do partido para tal resultado.

A nível nacional, o BE conseguiu 2,4%, cerca de 120 mil votos, abaixo dos 3,02% - e cerca de 166 mil votos - de 2009.

O Bloco revelou já que vai reunir hoje a sua comissão política e que na terça-feira deverão ser apresentados os resultados do encontro que servirá para debater os resultados das autárquicas.

Na comunicação que Semedo fez hoje aos jornalistas pouco passava da meia-noite, e ainda sem os resultados para Lisboa conhecidos, foi enaltecida a «monumental derrota» da direita no sufrágio de domingo e a mudança de paradigma na Madeira, onde no Funchal venceu uma coligação que integra o BE e o PS.

Em relação a 2009, o partido passa de nove mandatos autárquicos para oito: três na vereação de Salvaterra de Magos, um em Portimão, um em Olhão, um em Torres Novas e um no Seixal.

Nas declarações da noite eleitoral, Semedo realçou que esta foi a «campanha mais desigual» que houve, agravada pelo «grande apagão» da comunicação social.

«A CNE [Comissão Nacional de Eleições] tem as costas largas, mas as costas da CNE não explicam tudo», apontou, declarando que a limitação da cobertura autárquica pelas televisões foi um «primeiro passo para reduzir o pluralismo aos mínimos, ao pluralismo do bloco central».

Questionado sobre repercussões na liderança do partido, que divide com Catarina Martins, após os resultados destas eleições, Semedo declarou que o BE «discutirá isso e muitas coisas se assim o entender».

O ambiente no cinema São Jorge, na capital, onde o partido se reuniu para assistir ao desenrolar da noite eleitoral, foi de apreensão primeiro e posterior desilusão com os resultados, funcionando a mudança no Funchal e a eleição de novos vereadores em concelhos até agora sem presença bloquista os motivos maiores de satisfação.

O antigo coordenador Francisco Louçã, a eurodeputada Marisa Matias, e figuras como Ana Drago, José Manuel Pureza ou José Gusmão foram alguns dos que estiveram no mítico cinema em plena Avenida da Liberdade.

De acordo com os dados disponíveis na página da Internet da Direção-Geral da Administração Interna cerca das 18:00, falta ainda apurar uma freguesia (além de outras duas onde não se realizou a votação no domingo) e atribuir a presidência da Câmara Municipal de Caminha.