A reflexão "vai bem, muito obrigado". Passos Coelho respondeu já de fugida aos jornalistas, que o questionaram sobre a audiência que deve com o Presidente da República e que já estava marcada para esta segunda-feira, um dia depois das autárquicas. Mas o líder do PSD, surpreendentemente, disse que não falou com Marcelo Rebelo de Sousa sobre as eleições de domingo.

Não falámos de eleições autárquicas, trocámos impressões sobre a situação portuguesa e europeia, no essencial dentro da perspetiva do quadro económico-financeiro, situação económica nacional e outras matérias de atualidade, mas essa [eleições autárquicas] é sempre matéria para a reserva do Presidente da República".

Ontem, ainda sem resultados definitivos, mas com a visível derrota social-democrata, Passos assumiu "um dos piores resultados de sempre do PSD". Não se demitiu, como já tinha dito que não faria, mas vai ponderar se se recandidata ou não. Daí a reflexão em curso, que prometeu não durar muito tempo. "Vai bem, muito obrigado, boa tarde". 

Antes de sair de Belém, foram várias as tentativas dos jornalistas para perceber qual o sentido da decisão de Passos. Se fica ou sai do partido, se se recandidata ou não. "É uma questão prematura. Iremos proceder amanhã [terça-feira] à avaliação com mais detalhe das eleições autárquicas, isso será feito quer nos órgãos da comissão política da direção política, quer à noite no Conselho Nacional. Só depois poderemos dizer alguma coisa do ponto de vista de uma mensagem nacional que possa ter relevância. Não vou fazer especulação sobre essa avaliação", respondeu apenas.

À pergunta mais direta sobre se o seu futuro na liderança depende,em primeiro lugar, da sua decisão ou daquilo que sair do Conselho Nacional, disse: "Aquilo que resultar da minha decisão dependerá da minha reflexão".

Sobre os temas em cima da mesa na reunião que teve com o Presidente da República, Passos referiu-se ao Orçamento do Estado para 2018, dizendo que Marcelo quer saber o que o principal partido da oposição tem a dizer. 

Não existe ainda por parte do Governo proposta de lei do Orçamento, existem notícias que dão algumas pistas sobre as escolhas que o Governo irá apresenta, mas por enquanto é bastante incipiente. Tivemos oportunidade de dar ao PR a nossa visão sobre o momento económico que o país atravessa, o que seria ideal para futuro"

Passos não quis transmitir as preocupações do Presidente da República relativamente ao Orçamento do Estado que está a ser negociado entre PS, PCP,  BE e PEV.

O que o líder da oposição quis sublinhar a Marcelo que é importante que o país alcance as metas orçamentais a que o Governo se propôs, uma "prioridade grande" que o próprio Passos atribui. Mas também deixa a crítica a Costa e ao seu Governo: "É conhecida posição do PSD, precisamos de crescer significativamente mais do que tem acontecido, envolve opções de política economica, governo sempre muito centrado no presente e pouco no futuro".

Também as delegações do PS e do Bloco de Esquerda foram recebidas esta segunda-feira pelo Presidente da República. No final da audiência, ambas também responderam que o tema das autárquicas não esteve em cima da mesa mas, sim, o Orçamento do Estado para 2018 e as prioridades e visões de futuro para o país.

Seja como for, os jornalistas insistiram em perguntas sobre as consequências das autárquicas. Carlos César, presidente do PS, repetiu que os resultados eleitorais não afetam as negociações do OE2018 com os parceiros BE, PCP e PEV. Catarina Martins, do BE, disse o mesmo e piscou o olho a um entendimento com o PS em Lisboa.

Amanha será a vez de CDS-PP, PCP, PEV e PAN serem recebidos por Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém.