Três candidatos à Câmara Municipal de Lisboa reiteraram intenções de mudar a estratégia da autarquia no que toca à habitação e transportes.

Em ações de pré-campanha, candidatos do CDS, PSD e BE explicaram os planos de cada partido.

Os candidatos à Câmara de Lisboa são Assunção Cristas (CDS-PP), João Ferreira (CDU), Teresa Leal Coelho (PSD), Fernando Medina (PS), Pedro Robles (BE) Inês Sousa Real (PAN), Joana Amaral Dias (Nós, Cidadãos!), Carlos Teixeira (independente candidato na lista do PDR e do JPP), António Arruda (PURP) e José Pinto-Coelho (PNR).

 

CDS-PP - Assunção Cristas

A candidata do CDS-PP defendeu que a revitalização do comércio tradicional e dos mercados de bairro da cidade passa também por apostas na habitação, mobilidade e apoios sociais que permitam aumentar a demografia na capital.

Assunção Cristas falava durante uma visita ao Mercado 31 de Janeiro (Arroios), em Lisboa, onde falou com os comerciantes, essencialmente mulheres, e distribuiu panfletos com as suas principais propostas para Lisboa.

Começamos agora a entregar os nossos ‘flyers‘ pela ‘Nossa Lisboa’ nos quais mostramos as prioridades para a cidade ”, disse, explicando que as propostas apontam para soluções na área da mobilidade, com mais estacionamento para residentes, mais 20 estações de metro e ainda mais apoios para idosos e para as crianças.

Os mercados municipais, explicou, é onde se vê o pulsar da cidade, sendo por isso uma das escolhas de visita de campanha.

Conversando com as senhoras, são essencialmente senhoras que estão nestas bancas, o que nos dão nota é de algum ânimo que os mercados começam a sentir, mas que ainda está muito para fazer”, disse a candidata, adiantando que há necessidade de apostar na mobilidade, nos transportes coletivos e no estacionamento, e no incentivo à habitação a preços moderados para atrair população para a cidade.

O aumento da população, em especial a jovem, frisou Assunção Cristas, permite revitalizar estes espaços.

 

PSD - Teresa Leal Coelho

A candidata do PSD,Teresa Leal Coelho, disse que pretende criar medidas de discriminação positiva para incentivar ao arrendamento, de forma a torná-lo “apetecível” para os proprietários.

As medidas que vamos promover são medidas de incentivo ao arrendamento. Temos de tornar o arrendamento para habitação tão apetecível e dar confiança aos proprietários para que possam colocar as suas frações para arrendamento”, disse a candidata, em declarações à agência Lusa.

Referindo que “o exemplo tem de ser dado” pelo executivo municipal, apontou que “a Câmara tem muito património e deve colocá-lo para arrendamento”.

Segundo Teresa Leal Coelho, não é o que acontece na atual liderança socialista: “A Câmara tem muitos apartamentos e aquilo que tem feito, sistematicamente, é vender em hasta pública e promover especulação imobiliária, aumentando manifestamente os preços de habitação, seja para arrendamento, seja para compra”.

A autarca precisou que isso gera “falta de confiança” aos proprietários e aos investidores.

Temos de inverter isto rapidamente porque há muitas famílias em perigo de ter de sair de Lisboa porque este executivo camarário não dá garantias, não dá confiança, não dá segurança e não promove políticas públicas que promovam condições de sustentabilidade para que as famílias possam viver em Lisboa, está virado para outros lados”, reforçou.

A candidata falava à Lusa no final de uma visita ao Bairro de Santos ao Rego, na freguesia das Avenidas Novas, no qual distribuiu panfletos, acompanhada pelo candidato social-democrata àquela Junta, Pedro Proença.

Ao falar com comerciantes e moradores, Teresa Leal Coelho apresentava-se como “senhora Lisboa”, nome que compõe o mote da sua candidatura.

Questionada pela Lusa sobre como vê a redução no Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) de 28% para 10% para os proprietários com contratos de arrendamento com mais de 10 anos, medida defendida pelo cabeça de lista do PS e atual presidente do município, Fernando Medina, a candidata do PSD considerou que “isso penaliza extraordinariamente o inquilino”.

O inquilino que celebra um contrato de arrendamento a 10 anos, se ao fim de um ano quiser mudar, de bairro ou de casa ou porque a sua família, ou seja porque for, é profundamente penalizado porque tem de indemnizar o senhorio em 30% do contrato”, assinalou, frisando que “é um absurdo condicionar as pessoas”.

Teresa Leal Coelho, que ainda não apresentou o programa da sua candidatura, indicou que, com o PSD, “as medidas de discriminação positiva no plano fiscal para a celebração de contratos de arrendamento não se vão cingir a contratos celebrados para 10 anos, mas sim, para contratos pelo período que for negociado por proprietário e inquilino, desde que o objeto seja efetivamente a habitação”.

A candidata realçou ainda que “as primeiras medidas de discriminação positiva no âmbito fiscal foram apresentadas pela candidatura do PSD e não pela candidatura do PS”.

O PS veio a reboque e, sobretudo, quem vem a reboque do PS é o primeiro-ministro, António Costa”, que “criou uma secretaria de Estado da Habitação já na sequência da apresentação das nossas medidas”, concluiu.

 

BE - Ricardo Robles

O candidato do Bloco de Esquerda, Ricardo Robles, considerou como prioridades a habitação, a rede de transportes e a construção de creches para que as famílias não sejam expulsas para a periferia.

Ricardo Robles e a líder do BE, Catarina Martins, realizaram uma ação de pré-campanha no Mercado de Benfica, em Lisboa, onde distribuíram as propostas eleitorais do partido para a cidade e ouviram as queixas dos eleitores, como o preço das rendas e a falta e o desordenamento do estacionamento.

As dificuldades são a habitação, o preço das rendas e a dificuldade que têm em pagar o preço das rendas. É a dificuldades de chegar ao mercado, por exemplo, de transportes. A debilidade da rede de transportes em Lisboa é um dos principais problemas e é aí que temos de fazer um grande investimento. E depois têm-nos falado também, neste mês de setembro, do regresso às aulas e das dificuldades que têm em pôr as crianças nas creches”, resumiu Ricardo Robles.

Robles realçou que estes são problemas urgentes, sobretudo porque “há muita gente que quer ficar na cidade, manter-se na cidade e que não quer ser expulsa” para a periferia.

O candidato bloquista lembrou que o PS “há oito anos fez um levantamento e concluiu que essa era uma urgência na cidade”, que precisava “pelo menos de 60 creches”.

Oito anos depois fizeram 12. É muito pouco. As necessidades continuam a crescer e a oferta é muito escassa. E, portanto, é preciso olhar para estes oito anos de maiorias absolutas do PS em Lisboa e perceber que há tanto para fazer. Tanta coisa que foi prometida e que não foi feita. E, portanto, é preciso ter um vereador na Câmara Municipal de Lisboa que possa fazer esta pressão”, disse o cabeça-de-lista.

Robles realçou que o Bloco terá “os votos que os lisboetas decidirem” e que vai fazer campanha a “falar cara a cara, olhos nos olhos”.