O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares acusou hoje o PS de «utilização partidária e eleitoralista» do início do ano escolar, que defendeu ter decorrido com «normalidade», reagindo a declarações do líder da bancada socialista.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, considerou hoje que o Governo PSD/CDS-PP revelou «impreparação» e «incompetência» na abertura do ano escolar e que grande parte das deficiências resulta de uma política de «cortes cegos».

Na conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, respondeu a Carlos Zorrinho aludindo à campanha para as eleições autárquicas de 29 de setembro: «Eu só posso atribuir essas declarações ao período pré-eleitoral em que estamos».

O ministro da Presidência acrescentou que, «independentemente do período eleitoral que está a decorrer, é de muito mau gosto que se procure perturbar esse mesmo início do ano escolar» e que "nem a escola, nem os alunos, nem as famílias dos alunos, nem os professores merecem que haja uma utilização partidário e eleitoralista de algo que é fundamental para as suas vidas".

Segundo Luís Marques Guedes, «a normalidade do início do ano escolar é patente, é uma questão de as pessoas andarem pelo país para verificarem essa mesma normalidade», ao contrário do que alegou o líder parlamentar do PS.

Nas declarações que fez hoje ao final da manhã, Carlos Zorrinho falou de «um retrocesso brutal, algo que já não se passava há muitos anos», apontando a existência de «salas de aula com um professor e alunos de quatro graus do ensino básico, exigindo-se ao docente o acompanhamento de quatro programas distintos».

O socialista deu como outros exemplos de «retrocesso» casos de invisuais integrados em turmas de 28 alunos, mega agrupamentos planeados de uma forma que quebraram o princípio da proximidade, além do encerramento de muitos cursos profissionais.

«Este conjunto de falhanços no início do ano letivo é muito impressivo e permite concluir com grande tristeza que o Governo parece que desistiu de combater o insucesso e o abandono escolar», sustentou.