O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, «reprovou» hoje as declarações proferidas quinta-feira pelo antigo presidente Mário Soares na Aula Magna, as quais considerou «graves» e que «legitimam o uso da violência».

O vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP falava aos jornalistas à entrada para uma reunião partidária, destinada a «ouvir, debater e explicar» a orientação do partido e o rumo do país, integrada na preparação do congresso do CDS-PP, que se realiza em janeiro.

«As declarações de um antigo Presidente da República [Mário Soares] são graves porque elas significam, mesmo que involuntariamente, a legitimação da violência e em democracia a violência nunca é a forma adequada de manifestar uma opinião», declarou.

Paulo Portas salientou que, «em democracia e em liberdade, a forma adequada de expressar uma opinião é o voto» e não através da violência.

«É por isso que não posso deixar de ter esta observação de reprovação, relativamente às afirmações de um antigo Presidente da República, que até por ter desempenhado esse cargo, não deveria ter legitimado o uso da violência, o que, a meu ver, fez», criticou.

Instado a comentar a manifestação das forças de segurança junto ao Parlamento, o vice-primeiro-ministro considerou «preocupante» os manifestantes terem subido as escadarias da Assembleia, ante a passividade dos colegas que faziam o cordão de segurança.

«O que aconteceu quinta-feira é preocupante e não deve repetir-se. As forças de segurança representam a garantia de que há o cumprimento da lei e da ordem e, por isso, quando manifestam a sua insatisfação, que é um direito que têm, deve ter-se especial cuidado em que não haja alterações da ordem pública», sublinhou.

Para Paulo Portas, «na medida em que isso aconteceu, evidentemente teria de haver consequências», cabendo ao Governo «tratar com a máxima atenção as questões das forças de segurança, que são essenciais à manutenção da paz social e ao combate à insegurança e à atividade criminal».

Sobre os temas a debater com os militantes, o líder centrista referiu que «o primeiro compromisso do CDS-PP com os portugueses foi o de tudo fazer para recuperar a soberania e ajudar a governar numa situação de protetorado».

Portas lembrou que Portugal está a sete meses do fim do programa de ajustamento e da saída da troika, sublinhando a importância de manter cumprir as metas, mantendo a coesão social.

«É importante que o país seja capaz de cumprir, mantendo a sua coesão, para recuperar a sua soberania política, perdida em maio de 2011», afirmou.

O segundo "grande compromisso" do CDS-PP, vincou Portas, «foi de ajudar a criar condições para recuperar a economia, ajudando a governar um país que já estava em recessão» e Portugal está num momento de viragem.

«Os indicadores que vêm da economia dão sinais que não podemos dar por adquiridos, mas que são importantes e geram esperança. A nossa economia está numa viragem de ciclo mais positiva, mais geradora de emprego e de maior dinamismo na atividade económica», concluiu.