O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, acusou esta quinta-feira o anterior Governo (PSD/CDS-PP) de se ajoelhar perante a Alemanha quando tal não era necessário e defendeu a necessidade de políticas económicas que favoreçam o crescimento do emprego e a consolidação orçamental. Palavras ditas durante o debate na especialidade da proposta de Orçamento de Estado para 2016, com as comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de Assuntos Europeus.

"Não vale agora querermos invadir a Alemanha porque a Alemanha resiste ao seguro de depósito de garantia. Bastava não termos ido ajoelhar perante a Alemanha em momentos em que esse ajoelhamento não era necessário."

Para Santos Silva, "a questão mais importante é saber se somos ou não determinados na combinação de políticas económicas que favoreçam o crescimento de emprego e políticas económicas que favoreçam também a consolidação orçamental".

Dirigindo-se ao deputado do PSD Miguel Morgado, que acusou o Governo de evidenciar uma "extraordinária, espantosa e surpreendente falta de ambição", o chefe da diplomacia disse que os sociais-democratas "esquecem as primeiras, porque supostamente as segundas seriam por si mesmas miraculosas".

Na sua intervenção inicial, o ministro apontou que Portugal foi pioneiro na apresentação de um esboço de orçamento em Bruxelas, no âmbito do chamado semestre europeu, o que permitiu "incorporar na proposta de lei que o Governo apresentou à Assembleia da República o resultado das discussões técnicas e das avaliações que foi possível ter ou suscitar com o conjunto das autoridades europeias", algo que, acrescentou, não "beliscou a soberania nacional".